Nas ruas, trabalhadores lutam em defesa dos empregos na Ford e contra a reforma da Previdência

Foto: Adonis Guerra
O Dia Nacional de Luta em Defesa da Previdência e da aposentadoria, organizado pela CUT e demais centrais sindicais, começou cedo no ABC. Por volta das 7h, os companheiros na Mercedes, em São Bernardo, saíram do pátio da montadora para prestar solidariedade aos trabalhadores na Ford, que lutam para manter seus empregos.
Milhares de metalúrgicos do ABC, trabalhadores de diversas categorias e movimentos sociais se juntaram ao ato.
Os trabalhadores na região aprovaram a disponibilidade de fazer a luta e o engajamento do ABC em uma greve geral, quando for convocada pelas centrais sindicais.
No encontro da caminhada que partiu da Mercedes até o pátio da Ford, o presidente do Sindicato, Wagner Santana, o Wagnão, destacou a importância do ato.
“São duas pautas bem específicas que tem a ver com a nossa vida. O anúncio de fechamento dessa fábrica histórica da categoria e contra essa proposta que não se trata de reforma da Previdência, e sim de um desmonte que vai tirar direitos de todos nós”, anunciou.
“Na luta em defesa dos direitos não tem arrego. Esse encontro é simbólico de demonstração de solidariedade de toda a categoria”, prosseguiu.
Os trabalhadores seguiram da portaria da Ford em passeata rumo à Praça São João Batista no Rudge Ramos.
Durante o percurso, os dirigentes do Sindicato, representantes de outras categorias e parlamentares falaram ao microfone com os companheiros e com a população sobre os impactos de fechamento da multinacional e o desmonte da Previdência Social que está em jogo com a proposta do governo Bolsonaro.
O secretário-geral da CUT e CSE na Mercedes, Sérgio Nobre, lembrou que o fechamento implicará no fim de mais empresas, o que aumentará o desemprego e a consequente diminuição de arrecadação da Previdência.
“Esse não é o caminho do nosso país, o caminho é a geração de emprego, o fim da informalidade, assim se garante condições a uma aposentadoria digna para os pais e mães de famílias. O maior banco do país é a Previdência Social, é ela que protege o trabalhador quando ele precisa”.
O secretário-geral dos Metalúrgicos do ABC, Aroaldo Oliveira da Silva, que tem feito o debate sobre o desmonte da Previdência em várias fábricas da categoria, destacou que a luta para manter os empregos na Ford deve ser de toda a região e apontou para os perigos da reforma.
“Essa reforma vai mudar a forma de vida de toda a sociedade brasileira. As pessoas ficarão na miséria sem aposentadoria e sem proteção social”.
O diretor administrativo do Sindicato, Moisés Selerges, questionou: “Vocês acham que a empresa vai ter sensibilidade quando os trabalhadores ficarem mais velhos? Sensibilidade é a nossa luta em solidariedade aos companheiros na Ford. Se a gente não fizer nada, os caras vão passar o trator, temos que brigar para tirar essa pauta da mesa deles”.
“Se o governo está colocando como prioridade a votação da reforma da Previdência, isso também deve ser prioridade na nossa luta. Em três meses esse governo já trabalhou muito, trabalhou contra a classe trabalhadora”, reforçou o coordenador do CSE na Mercedes, Ângelo Máximo de Oliveira Pinho, o Max.
O deputado federal Vicente Paulo da Silva, o Vicentinho, afirmou que a solidariedade é a coisa mais bonita que existe e reforçou que o momento é de cobrança. “É preciso dizer ao Congresso que o povo está de olho em traidores da classe trabalhadora. É hora de cobrar”.
No encerramento, em frente à igreja, o padre Paulo Afonso da paróquia São João Batista lembrou o tema da Campanha da Fraternidade deste ano é ‘Fraternidade e Políticas Públicas’, em defesa do bem comum. “A igreja está a favor de vocês e desse movimento. Vemos com muito temor a reforma da Previdência. Estamos com vocês clamando por justiça”.

Foto: Edu Guimarães
Luta na Ford
Durante o encontro na portaria da montadora, Wagnão comunicou a confirmação de uma reunião com o governador João Doria, na próxima quinta-feira, 28, às 18h, para tratar especificamente sobre as negociações da Ford com possíveis compradores.
“Estamos fazendo a luta numa série de espaços políticos. Quem é o patrão para isso não nos interessa, o que interessa é que fábrica fica e os empregos também”.
O coordenador-geral da representação na Ford, José Quixabeira de Anchieta, o Paraíba, reforçou que a luta continua, com a cobrança pela participação dos trabalhadores na negociação.
“A luta vai continuar em defesa dos empregos. Os trabalhadores estão convocados para assembleia na terça-feira, 26”, chamou.

Foto: Edu Guimarães
Da redação