Nissan diz que não tem medo dos chineses, mas Brasil precisa fazer algo
Presidente da montadora japonesa para as Américas afirma que Brasil precisa proteger a indústria nacional
A invasão das montadoras chinesas na América Latina já é uma realidade que vem cada vez mais crescendo, principalmente aqui no Brasil, onde o preço competitivo, a tecnologia farta e a potência bruta desses carros estão balançando o mercado. Diante desse cenário, a Nissan adotou um discurso público de tranquilidade, mas nos bastidores, porém, não pode errar seus próximos passos e pede taxas maiores.
Segundo o presidente da Nissan nas Américas, Christian Meunier, o governo brasileiro precisa agir para proteger quem produz por aqui. Segundo ele, não faz o menor sentido permitir que carros importados sejam despejados no país para competir de igual para igual com quem investe em fábricas e gera emprego localmente, algo que as montadoras tradicionais já repercutem desde o ano passado.
Meunier defende que o Brasil siga o exemplo do México, que taxou importações da China em até 50% para quem não tem produção local, protegendo a cadeia de suprimentos e os trabalhadores da região. A lógica, segundo ele, é: quem produz localmente pode ter benefícios. Quem apenas importa, paga mais. Esse discurso também cresce ainda mais devido a situação da Nissan no Brasil.
Enquanto a Nissan patina na casa dos 3% de participação de mercado há anos, a BYD, por exemplo, já deu um salto ocupando mais de 6% das vendas no ranking. Meunier reconhece que parte dessa expansão chinesa vem de subsídios do governo de lá, mas aposta que o diferencial da Nissan será o pós-venda e a rede de concessionárias sólida, algo que muitas novatas ainda não têm. Para ele, o mercado vai passar por uma peneira e algumas dessas marcas chinesas podem simplesmente desaparecer no caminho.
Do Auto+