O carro do Mercosul

Celso Amorim entende que as vendas brasileiras para o exterior aumentaram porque o presidente Lula adotou os princípios básicos da política externa: defesa da paz, dos interesses nacionais e respeito à soberania dos povos. Sempre com negociação e sem alarde.

Para citar um exemplo, lembrou que logo após a posse a situação na Venezuela estava próxima a um confronto. Em outras palavras, o ministro disse que o país vizinho corria o risco de ser invadido pelos Estados Unidos ou que estourasse uma guerra civil por lá.

“Por isto o presidente Lula tomou a iniciativa de procurar outros países para criar o Grupo de Amigos da Venezuela. A atuação do grupo foi fundamental para criar condições para que os próprios venezuelanos decidam os destinos de seu país, o que vai acontecer agora, com o plebiscito do próximo domingo, que vai decidir pela continuidade ou não do presidente Hugo Chavez na presidência”, contou Amorim.

Solidariedade
Em sua opinião, essa colaboração tem um lado prático junto à solidariedade. “Se não ajudássemos a Venezuela, a crise de lá ia repercutir por aqui. Basta recordar como o risco Brasil cresceu quando piorou a situação na Argentina”, continuou o ministro.

“Defendendo os interesses do povo venezuelano, o presidente também defendeu os interesses do Brasil. Assim funcionam as relações exteriores no País, hoje”, notou. Amorim aproveitou para falar da importância do relacionamento com a Argentina para a construção do Mercosul (formado por Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai) e da importância do próprio bloco.

Comparação
“Apesar de ser uma grande nação, o Brasil é pequeno se comparado com os grandes blocos mundiais. Por isto é necessária a união da América Latina e essa unidade não é possível sem um Mercosul forte. Por isto não nos interessa brigar com a Argentina. Temos que ter compreensão com nossos aliados mais fracos”, garantiu.

Segundo ele, os grupos que defendem o rompimento com o país vizinho estão defendendo interesses pessoais e não os interesses do País. “Aumentaremos nossas chances no mercado mundial quando produzirmos o carro do Mercosul, a geladeira do Mercosul. Precisamos trabalhar junto com solidariedade e produtividade”, finalizou.