Os juros no cheque especial

No filme Um dia de fúria, o personagem de Michael Douglas é um cidadão que tem um surto psicótico após brigar com a mulher, perder o emprego, enfrentar o trânsito numa única manhã. Sai revoltado, reagindo com violência às diferentes situações do cotidiano.

Sem a violência do filme, nós, brasileiros, deveríamos ter também um dia de fúria. Há vários motivos para isso. Um deles é o nível estratosférico da taxa de juros.

Veja o cheque especial. Hoje, se qualquer um de nós tiver que usá-lo terá de pagar 150% ao ano.

Os banqueiros querem que aceitemos taxas como esta como normais. As taxas de juros poderiam até fazer sentido quando o País tinha inflação anual de 120% ou mais. Mas, hoje, a inflação fica em 7%. E temos uma inflação baixa graças ao enorme sacrifício que todo o País tem feito nos últimos anos. Portanto, não podemos achar normais taxas de juros de 150% ao ano.

O absurdo é maior ainda porque todos sabemos a grande garantia que os bancos têm em relação ao cheque especial. Primeiro, ele estabelece um limite para o especial de acordo com sua a conveniência. Depois, porque o banco controla a própria conta do cliente. Qualquer valor creditado serve para abater a dívida do cheque especial. Logo, é um empréstimo em que o banco tem forte controle e segurança de pagamento.

Portanto, taxa de juros no cheque especial de 150% é, sim, uma agiotagem legalizada. E motivo de um dia de fúria de todos nós, clientes dos bancos.

E que este dia de fúria, que esperamos esteja próximo, sirva para pressionar também o governo a atuar mais fortemente neste mercado, exigindo dos bancos taxas de juros decentes para os cidadãos brasileiros.

Subseções Diesse CUT Nacional e Sindicato dos Metalúrgicos do ABC