Rota 2030 é aprovado
Emenda defendida pelo Sindicato, que inclui a manutenção dos empregos e a qualificação profissional, foi aprovada no Congresso. Medida foi assinada na abertura do Salão do Automóvel

Foto: Adonis Guerra
A Medida Provisória que cria o Rota 2030 foi aprovada ontem pelo Senado e, logo em seguida, o presidente Michel Temer assinou o decreto que regulamenta a MP na abertura do 30º Salão Internacional do Automóvel, em São Paulo. Na quarta-feira, dia 7, o texto já tinha sido aprovado na Câmara dos Deputados.
O diretor executivo do Sindicato, responsável por políticas industriais, Wellington Messias Damasceno, avaliou que a aprovação foi positiva, principalmente pelo momento atual e das dificuldades de inserir as pautas dos trabalhadores nas discussões.
“Temos que reforçar que o Rota 2030 está muito aquém de ser um programa para a indústria automotiva nacional, dada a importância do setor para o país e para a geração de empregos. A MP que foi apresentada pelo governo federal não atende nossos pleitos de fortalecimento da cadeia produtiva e, por ter validade de 15 anos, deveria ser muito mais estruturante”, afirmou.
Desde as discussões sobre a nova política automotiva, o Sindicato cobrou espaço nas discussões para cobrar um modelo com geração de empregos, renda, pesquisa, desenvolvimento, inteligência e uma indústria nacional forte. O país estava sem um regime para o setor desde o fim do Inovar-Auto, em 2017.
“Às vésperas da troca para um governo que diz que não vai ter política setorial e diante do cenário de incertezas, conseguimos avanços importantes no Rota 2030”, explicou.
Entre eles está a emenda defendida pelo Sindicato e apresentada pelo deputado federal Carlos Zarattini (PT-SP), que inclui a capacitação técnica, a qualificação profissional e a expansão ou manutenção de empregos no setor, além de suprimir o termo “automatizar o processo de manufatura”, que foi retirado da pauta.
Outro ponto importante é a criação de um observatório da indústria para acompanhar de perto a aplicação de recursos, investimentos em pesquisa e desenvolvimento, a entrada de importados e direcionar investimentos e novos negócios.
“O observatório é uma vitória para os trabalhadores, mas temos que estar atentos e mobilizados para garantir a participação no processo”, afirmou.
O deputado federal Vicente Paulo da Silva, o Vicentinho (PT-SP), em sua fala no plenário da Câmara, reforçou a importância da participação dos trabalhadores no processo de discussão do Rota 2030.
“Um sindicato combativo sabe que negociar sem mobilizar não dá efeito, e mobilizar sem negociar também não. Por isso, os Metalúrgicos do ABC foram às fábricas, fizeram assembleias, discutiram e buscaram caminhos para proteção da base industrial e dos empregos”, afirmou.
As emendas sobre a criação de um centro independente de testes e as etapas de ferramentaria, defendidas pelo Sindicato, não foram aprovadas em plenário na Câmara.
“Vamos continuar insistindo nesses pontos durante a regulamentação do projeto. É importante ter um centro no Brasil para garantir as aferições que o Rota 2030 exige”, disse.
Emendas polêmicas foram derrubadas na Câmara. O regime diferenciado para o nordeste foi prorrogado, mas em valores menores. Já o regime para o centro-oeste, que triplicava o benefício para empresas da região, não foi aprovado.
Os importadores foram retirados, por meio de destaque do PCdoB, do Rota 2030. “É uma crítica que fizemos ao longo da discussão, já que dar as mesmas condições para quem produz nacionalmente e para quem importa tudo seria colocar dinheiro público em algo que não geraria empregos no Brasil”, ressaltou.
Um destaque do Psol retirou a possibilidade de refinanciamento de dívidas das empresas com dívidas maiores do que R$ 15 milhões.
Da Redação.