“Sem outro modelo de qualificação, jovens serão preparados para operar máquinas”

Fotos: Adonis Guerra

O Coletivo de Políticas Industriais do Sindicato conheceu ontem a estrutura do Senai Armando de Arruda Pereira, em São Caetano. A unidade tem uma planta modelo de manufatura avançada e cursos de mecatrônica voltados para a Indústria 4.0.

O diretor executivo do Sindicato, responsável por políticas industriais, Wellington Messias Damasceno, explicou que os Metalúrgicos do ABC têm se debruçado em propor um modelo inclusivo a partir da lógica dos trabalhadores.

“Temos que pensar os novos paradigmas tecnológicos a partir dos trabalhadores, em um modelo em que os mesmos estejam no centro das discussões das novas tecnologias, desde a pesquisa e desenvolvimento até a produção e operação desses processos”, afirmou.

“Por isso, é fundamental conhecer o que está sendo pensado sobre o tema para construir uma proposta dos trabalhadores para a qualificação profissional na Indústria 4.0 e discutir políticas alternativas também com as empresas e governos”, explicou.

O dirigente ressaltou que o Senai está a serviço da indústria. “O Senai pensa nas necessidades da indústria, não vê o trabalhador como o sujeito, mas como uma parte desse sistema. Dentro dessa lógica, o trabalhador é preparado apenas para operar os sistemas criados, pensados e desenvolvidos em outro lugar do mundo, que não o Brasil”, criticou.

“Se não pensarmos o modelo de qualificação nessa nova indústria, vamos preparar os jovens para serem operadores de tecnologia importada”, alertou.

“A tendência com a automação é o extermínio dos empregos que conhecemos na indústria hoje. Novos empregos serão gerados. O problema é onde estarão os empregos do futuro, já que não se propõe construir nada aqui”, disse.

“Novos modelos de negócio”

O Senai coloca os “modelos de negócios” entre os eixos da Indústria 4.0 e já aponta para uma indústria prestadora de serviços. Dentre seus produtos estão o incentivo ao empreendedorismo por meio das start ups. “Precisamos entender esse modelo e como resguardar os direitos dos trabalhadores, já que isso pode significar o aprofundamento da retirada de direitos dos trabalhadores”, ressaltou Wellington.

Coletivo de Políticas Industriais conhece a Aperam

Os integrantes do Coletivo de Políticas Industriais visitaram a Aperam, em Ribeirão Pires, em janeiro, para conhecer a linha de produção, bem como debater sobre o futuro da empresa.

“A empresa atua em ramos como o automobilístico, mas também de petróleo e gás e sucroalcooleiro, que são temas que o Coletivo tem trabalhado tanto na busca do fortalecimento das empresas que já atuam nestes setores quanto da possibilidade de novas empresas apostarem nestes segmentos”, explicou o diretor executivo do Sindicato, responsável por políticas industriais, Wellington Messias Damasceno.

 

Foto: Divugação

 Da Redação