Sindicato reforça a luta por direitos e empregos dos trabalhadores na Ford

Em reunião com o governador Doria, Sindicato sai com esperança de possíveis investidores para manter os postos de trabalho na montadora. Conselho Nacional de Direitos Humanos se comprometeu com a luta dos trabalhadores

Foto: Adonis Guerra

O presidente do Sindicato, Wagner Santana, o Wagnão, e a representação dos trabalhadores na Ford se reuniram com o governador de São Paulo, João Doria, na tarde de ontem, para tratar das negociações que vêm ocorrendo entre a montadora e possíveis investidores.

“Saímos esperançosos e animados da reunião. O governador se mostrou confiante com o encaminhamento das negociações, cujo conteúdo é tratado em sigilo comercial”, contou.

“Também reafirmamos a necessidade de garantir os postos de trabalho, que ele disse que tem sido a exigência constante nas conversas que vem tratando com os possíveis investidores”, afirmou.

Na parte da manhã, o Sindicato recebeu integrantes do Conselho Nacional de Direitos Humanos (CNDH), com a discussão sobre a atuação conjunta na defesa dos direitos dos trabalhadores na Ford e nos impactos que a decisão da montadora de fechar a planta causa na sociedade.

Foto: Raquel Camargo

Wagnão explicou a situação na Ford e cobrou responsabilidade da empresa com a sociedade. “É muito importante o envolvimento do Conselho Nacional de Direitos Humanos em uma discussão como essa, que pode afetar o padrão de qualidade de vida, assistência à saúde, acesso à educação dos trabalhadores e da sociedade”, afirmou. 

“A defesa é pela participação na negociação com um possível investidor, com garantia de direitos dos trabalhadores, discussões sobre emprego e em quais condições isso se dará”, prosseguiu.

O CSE na Ford, André Paulo Bezerra, contou que a reunião foi bastante produtiva. “Ter diversos órgãos querendo ajudar os trabalhadores na nossa luta é fundamental para ser uma comoção nacional. A empresa não pode tratar seu fechamento como algo simples, é um escândalo”, disse.

O diretor executivo dos Metalúrgicos do ABC e conselheiro do Conselho Estadual de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana (Condepe), Carlos Caramelo, explicou a atuação do Sindicato nas discussões de direitos humanos.

“São temas que estão no dia a dia de todo trabalhador, no cotidiano de suas famílias. Estar nos espaços de discussão é poder dialogar sobre direitos com diversos setores da sociedade a partir do viés dos trabalhadores.”

O presidente do CNDH, Leonardo Pinho, afirmou que o Conselho firmou compromisso de analisar e atuar junto ao Sindicato na garantia de direitos dos trabalhadores e nos impactos econômicos e sociais com o fechamento da planta na cidade e na região.

“Como está previsto nas diretrizes de empresas e direitos humanos da ONU, a Ford é responsável por esses efeitos negativos no acesso a direitos, inclusive com a sobrecarga dos serviços públicos. Vamos cobrar.”

O procurador federal dos Direitos do Cidadão, Marlon Weichert, destacou que o encontro foi uma oportunidade de troca de ideias e reflexões. “Os impactos precisam ser avaliados sob o prisma da responsabilidade das empresas pela promoção e proteção dos direitos humanos”, reforçou.

Para Rodrigo Ernani, da Defensoria Pública da União no ABC, a partir do encontro, a ideia é verificar o âmbito de atuação de cada instituição. “Os direitos sociais, como a legislação trabalhista, acabam replicando nos direitos humanos. A Defensoria tem por objetivo acompanhar o caso para que os direitos sociais não sejam reduzidos”, afirmou.

Fernando Santana, da Gerência Regional do Trabalho de São Bernardo e Diadema, reforçou a necessidade de as empresas reconhecerem e cumprirem o seu lado social. “O trabalhador não é uma máquina, é uma pessoa e tem família. Essa é a preocupação. Que empresas como a Ford possam pensar nos impactos não só para os trabalhadores, mas para a sociedade”, disse.

Da Redação.