Sindicato solicita audiência com BNDES sobre Ford e Caoa

Foto: Divulgação
Os Metalúrgicos do ABC enviaram ontem o pedido de audiência para o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social). A produção de caminhões na Ford se encerrou no dia 30 de outubro.
O presidente do TID-Brasil (Instituto Trabalho, Indústria e Desenvolvimento), ex-presidente do Sindicato e CSE na Ford, Rafael Marques, explicou que a formalização do pedido ocorreu após informações desencontradas sobre financiamento por parte da Caoa.
“A reunião é para entender como está o processo da Caoa e o BNDES sob a perspectiva dos trabalhadores, já que o Banco soltou nota à imprensa semana passada colocando em dúvida o pedido”, contou.
“Também vamos defender que o Banco coloque o financiamento para aquisição da planta da Ford nas suas prioridades. A compra é importante para o Brasil, Estado, região e toda a cadeia produtiva, relevante ao potencializar a indústria nacional, com tecnologia e produtos, emprego e renda”, destacou.

Fotos: Adonis Guerra
“Sempre nos denominamos irmãos de luta, por trabalharmos um ao lado do outro, pois apenas uma cerca de arame nos separava. Somos filhos do mesmo Sindicato, estudamos na mesma escola da luta. Por isso, aqui na Mercedes, estamos sentindo como alguém que perde o irmão. O que nos alivia é que nossos irmãos estão vivos, mais qualificados e experientes. Quem está indo embora é a Ford, mas os trabalhadores continuam na luta”, coordenador da representação na Mercedes, Max Pinho.

“Quero agradecer a cada representante e a cada trabalhador da Ford por anos de convivência, admiração e respeito. Pude acompanhar de perto muitas lutas desses bravos guerreiros e testemunhar a coragem e sabedoria de cada um. A Ford vai, os trabalhadores ficam e assim continuamos juntos nessa eterna batalha sempre em busca de um futuro mais justo e digno para cada trabalhador. Coragem, luta e fé. Um grande abraço”, coordenador da representação na Scania, Regis Guedes.

“Ford e Volks já foram uma só, na época da Autolatina. Para além disso, muita gente que trabalhou na Ford veio para a Volks e muitos que trabalharam na Volks estavam na Ford. Quando soubemos do encerramento da produção, também sentimos pelos colegas. Os companheiros na Ford deixam um legado de luta e resistência. O nosso agradecimento por todos esses anos de luta e companheirismo. A luta continua”, coordenador da representação na Volks, Wagner Lima.
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“Os trabalhadores na Ford e o Sindicato fizeram sua parte, lutaram até o último instante. Seus nomes ficam escritos na história das lutas da classe operária brasileira. A luta continua e vale a pena, acreditem. A decisão da Ford deixa sequelas do ponto de vista social, na vida das famílias e no impacto na economia local. O BNDES tem que conversar com a Caoa, entender o que está acontecendo e liberar o financiamento”, coordenador da Regional Diadema, Claudionor Vieira do Nascimento.

“Falar da luta dos companheiros na Ford é falar de gratidão, respeito, solidariedade e companheirismo em todos os momentos. Esses guerreiros deixam seus legados para esta e para as próximas gerações da nossa categoria. A Ford se vai, mas o exemplo de luta, garra, união e solidariedade desses companheiros já faz parte do DNA de cada metalúrgico e metalúrgica do ABC. A nossa luta será sempre contínua”, coordenador de São Bernardo, Genildo Dias Pereira, o Gaúcho.
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“Os companheiros na Ford sempre foram referência na militância e na luta. A qualquer hora e em qualquer lugar, lá estavam para representar o Sindicato e a luta dos trabalhadores. Não é a toa que importantes lideranças da categoria saíram da Ford. Fico muito triste, pois além de grandes companheiros, eram muito amigos. Os Metalúrgicos do ABC não serão mais os mesmos”, coordenador da Regional Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra, Marcos Paulo Lourenço, o Marquinhos.