Sindicatos iniciam greve geral no Chile. 67% da população considera país desigual e injusto

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Os principais sindicatos e movimentos sociais iniciaram ontem uma greve geral no Chile, apesar do presidente Sebastián Piñera ter apresentado um pedido de desculpas e anunciado medidas para tentar conter o conflito social. Os protestos já deixaram 18 mortos, além de centenas de desaparecidos.
“A GREVE! Afirmamos de maneira forte e clara: Basta de aumentos e abusos!”, anunciou no Twitter a Central Unitária dos Trabalhadores (CUT), o sindicato mais influente do Chile.
Uma pesquisa divulgada ontem pelo instituto Ipsos aponta que 67% dos entrevistados “se cansaram de suas condições de vida nas áreas econômica, de saúde e aposentadoria”, que consideram “desiguais e injustas”. Os protestos no Chile, um dos países mais desiguais do mundo, começaram com o aumento, depois suspenso, de 3,75% do preço da passagem de metrô em Santiago, mas tomaram proporções muito maiores por conta de outras demandas sociais, principalmente as aposentadorias muito reduzidas do sistema privado, que vigoram desde a ditadura de Augusto Pinochet (1973-1990).
“Agora o mundo toma conhecimento das políticas neoliberais implementadas pelo governo Pinochet na década de 80. É importante que os trabalhadores vejam o resultado dessas políticas na prática, não só no discurso. A situação chilena é o maior exemplo de como essas políticas não dão certo pra população em geral, sobretudo para a classe trabalhadora”, pontuou o secretário de Relações Internacionais da CNM/CUT (Confederação Nacional dos Metalúrgicos da CUT), Maicon Michel Vasconcelos da Silva.

Dirigente Sindicais Chilenos
“Temos certeza de que o primeiro responsável pela violência é essa elite arrogante e insensível que há décadas abusa da impunidade e mercantilizou até os direitos mais elementares; as condições dos aposentados são tão graves que muitos se suicidam. Foram essas políticas que levaram este país ao grave surto que estamos enfrentando hoje. Já são mais de 18 mortos, centenas de desaparecidos e milhares presos. Esses são os números oficiais, na prática, nos veículos de comunicação popular, a conta é muito maior”.
Horácio Fuentes presidente CONSTRATAMET, o Sindicato Nacional da indústria chilena.
“As soluções precisam ser agora, hoje é a urgência de melhorar as pensões, a saúde, a educação, mais direitos aos trabalhadores e sem violações dos direitos humanos. Exigimos o fim do estado de emergência, a retirada imediata dos militares das ruas e todas as medidas que restringem as liberdades das pessoas. A única coisa que esse governo conseguiu é exacerbar a raiva acumulada há mais de 30 anos”.
Miguel Soto, secretário de relações internacionais da CONSTRAMET.