Trabalhadores decidem rumos da Campanha Salarial

Aprovada a proposta negociada com o Sindicel, de 3,8% de reajuste e Convenção Coletiva válida até 2021. Para os demais grupos, é entrega do aviso de greve

Fotos: Adonis Guerra

Na noite de sexta-feira, dia 11, em Assembleia Geral de Campanha Salarial, na Regional Diadema, os metalúrgicos e as metalúrgicas do ABC aprovaram a proposta negociada com a bancada patronal do Sindicel, que será a referência para os demais grupos de negociação. Também foi aprovada a entrega do aviso de greve para as outras bancadas patronais.

A proposta econômica com o Sindicel terá validade por dois anos. Para este ano, o reajuste é de 3,8%, sendo 3,28% de reposição da inflação pelo INPC mais 0,5% de aumento real, com correção dos pisos e teto pelo INPC e criação do salário de entrada.

Para o ano que vem, o reajuste acordado será INPC mais 0,5% de aumento. A Convenção Coletiva de Trabalho, que garante as cláusulas sociais, já tinha sido assinada no ano passado com validade até 2020 e agora será estendida até 2021.

O presidente do Sindicato, Wagner Santana, o Wagnão, explicou a importância de unidade dos trabalhadores. “Com a aprovação na assembleia, a negociação com o Sindicel passa a ser referência para chegar ao acordo. É com disposição, unidade e solidariedade que faremos a luta para avançar”, chamou.

Wagnão criticou a postura do Sindipeças de desrespeito às negociações. “A luta é por respeito e dignidade aos trabalhadores. Tentam nos convencer de que não vale a pena se reunir enquanto categoria, que cada um é PJ ou CNPJ e concorrente neste mundo disputado”, afirmou.

“Com a reforma Trabalhista, tentam nos convencer que não precisa de Convenção Coletiva, que cada um negocie direto com a fábrica. Com a reforma da Previdência, é cada um se virar para programar o futuro, que vai trabalhar até morrer. Para o Sindicato não interessa essa lógica”, prosseguiu.

O coordenador da Regional Diadema, Claudionor Vieira do Nascimento, chamou a atenção para a necessidade de fazer reflexões sobre o momento atual. “Estamos vivendo uma realidade muito difícil na conjuntura econômica e política. Em mais de três meses de negociações, tivemos condições desagradáveis, pautas impositivas e de retirada de direitos. No entanto, isso não nos faz baixar a cabeça”, contou.

O presidente da FEM/CUT (Federação Estadual dos Metalúrgicos da CUT), Luiz Carlos da Silva Dias, o Luizão, explicou as dificuldades. “O desemprego alto é fator que determina o ritmo das negociações. Outro fator é quando o governo federal diz que vai criar a carteira verde e amarela, os patrões se sentem representados. Tem patrão que quer acabar com os pisos para contratar só pelo salário mínimo. Os trabalhadores vão dar a resposta à altura a esses patrões que não são sérios e não respeitam cada um e cada uma”, alertou.

A diretora da FEM/CUT e CSE na BCS, Maria Gilsa Macedo, lembrou que a entrega da pauta de reivindicações foi em julho. “Temos que mobilizar e o momento é de buscar o que é de interesse nosso, mais empregos, direitos e salário”, disse.

São 14 sindicatos na base da Federação, que também farão suas assembleias para apreciação das propostas. “É fundamental a organização e a participação na Campanha Salarial, que é referência para o Brasil. Estender a Convenção Coletiva até 2021 é mais uma importante ferramenta de luta”, disse o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Taubaté e Região, Cláudio Batista, o Claudião, que participou da assembleia. 

O diretor do Sindicato dos Metalúrgicos de Sorocaba e Região e tesoureiro da Federação, Adilson Faustino, o Carpinha, chamou para unidade na luta. “Temos que enfrentar os ataques pensados e estruturados para dizimar os direitos da classe trabalhadora e entregar a nação para capital internacional”, disse.

Outubro Rosa

A coordenadora do Coletivo de Mulheres Metalúrgicas do ABC, Andrea Ferreira de Sousa, a Nega, falou sobre o Outubro Rosa e a campanha Doe Fios de Amor. “O conhecimento e a prevenção podem salvar vidas. Além das fábricas, vamos cobrar o Estado por medidas”, disse.

A CSE na Legas, Aparecida Maria de Melo, a Cida, reforçou que o engajamento na campanha de prevenção não é só em outubro, mas todos os meses, e convidou o pessoal a participar. “A doação pode ser cabelo de qualquer tipo, basta ter 15 cm. É ajudar quem está com câncer a se sentir um pouco melhor e mais feliz”, chamou.