Trabalhadores em Diadema e São Bernardo aprovam disposição de luta
Mobilizações de Campanha Salarial são intensificadas nas fábricas da base. FEM/CUT teve rodada de negociação com G3

Fotos: Adonis Guerra
Os trabalhadores na Autometal e Apis Delta, em Diadema, Otis e Apema, em São Bernardo, aprovaram a disposição de fazer a luta que for necessária na Campanha Salarial, em defesa da reposição da inflação, na busca por aumento real e pela manutenção da Convenção Coletiva de Trabalho, com respeito a todas as cláusulas sociais que garantem os direitos.
Em Diadema, o coordenador da Regional, Claudionor Vieira do Nascimento, reforçou a importância da mobilização.
“O momento no país é difícil, mas quem perdeu até agora? Não pensem que foram os patrões. É na crise que os patrões querem terceirizar, contratar com jornada intermitente e, mesmo assim, acumulam riquezas. E os patrões não se contentam em ganhar muito, querem ganhar tudo. E esse tudo é em cima dos direitos dos trabalhadores, sem compromisso nem responsabilidade social. Não vamos permitir”, afirmou.

A negociação de Campanha Salarial é feita de maneira coletiva pela FEM-CUT (Federação Estadual dos Metalúrgicos da CUT), que representa 14 sindicatos metalúrgicos, com as bancadas patronais.
“Tem grupos patronais em que as negociações estão mais avançadas, mas não o suficiente para atender as expectativas dos trabalhadores. Em outros grupos, se dependesse só dos patrões, teria a carteira verde e amarela sem nenhum direito. O recado das mobilizações é que os trabalhadores não vão baixar a cabeça”, explicou.
Na Apis Delta, em assembleia ontem, a coordenadora do Coletivo de Mulheres Metalúrgicas do ABC e CSE na empresa, Andrea Ferreira de Sousa, a Nega, contou que tem patrão dando sinais de não chegar nem a reposição da inflação pelo INPC, que foi apurado em 3,28%.

“A luta é pela Convenção Coletiva assinada, com reposição da inflação e aumento real. E isso só será possível com a demonstração de mobilização e unidade da classe trabalhadora”, disse.
A CSE na Apis Delta, Cláudia Alexandra Rodrigues, também chamou para a mobilização. “Sem a luta de todos, não tem como conseguir avanços. Empresa nenhuma dá nada de graça”, ressaltou.
Na Autometal, em assembleia na sexta-feira, dia 20, o CSE Gilberto da Rocha, o Amendoim, alertou que o momento é de resistência para defender os direitos.
“O sentimento e o espírito aguerrido de cada um são essenciais para fazer a luta. Se não tivermos cuidado e consciência, corremos o risco de retrocessos. Que as empresas procurem seus grupos patronais para dar o recado de que sua produção está em risco pelo impasse da Campanha Salarial”, afirmou.
São Bernardo
Na Otis, a assembleia foi na sexta-feira, dia 20. O coordenador de São Bernardo, Genildo Dias Pereira, o Gaúcho, contou que os patrões insistem na retirada de direitos e redução do piso.

“Enquanto os patrões deveriam cobrar do governo investimentos para a indústria, infraestrutura e construção civil, continuam com a pauta de que a redução de direitos vai gerar empregos. Sabemos que isso é uma grande mentira. A partir de agora é preciso que os trabalhadores, mais do que nunca, estejam organizados e mobilizados”, enfatizou.
Foto: Raquel Camargo
Na Apema, a assembleia foi na manhã de ontem. O coordenador de área, Jonas Brito, ressaltou que a responsabilidade da Campanha Salarial é de todos.
“Essa assembleia faz parte da luta. É importante que o recado de vocês chegue à mesa de negociação do grupo patronal, mostrando que os trabalhadores na Apema estão mobilizados e querem sim, aumento real e sua Convenção Coletiva assinada”, destacou.
Foto: Raquel Camargo
Negociação com G3
Na tarde de ontem, a FEM/CUT realizou mais uma rodada de negociações com o Grupo 3 (Sindipeças, Sindiforja e Sinpa). O coordenador da Regional Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra, Marcos Paulo Lourenço, o Marquinhos, contou que a bancada patronal continua dificultando as negociações.
“Por mais que a situação esteja complicada, a choradeira dos patrões não se justifica. As negociações continuam e nós trabalhadores vamos continuar a luta na mesa de negociação e nas assembleias nas fábricas mobilizando os trabalhadores pelo INPC e aumento real”, concluiu.