Trabalhadores na Volks fortalecem luta contra a reforma da Previdência

Abaixo-assinado das centrais sindicais é mais um instrumento de resistência da classe trabalhadora em defesa do direito a aposentadoria

Os Metalúrgicos do ABC iniciaram na Volks, em São Bernardo, a coleta de assinaturas do abaixo-assinado contra a reforma da Previdência na quarta-feira, dia 17. Lançado pela CUT e demais centrais sindicais, a coleta de assinaturas ocorrerá em todo o Brasil e o documento será entregue aos parlamentares no Congresso para pressionar e mostrar que os trabalhadores não aceitam o desmonte da Previdência Social.

“A reforma ataca os direitos dos trabalhadores, que dedicam suas vidas para ter um futuro e uma expectativa de vida melhor ao se aposentar. Infelizmente este direito está sendo ameaçado”, afirmou o presidente do Sindicato, Wagner Santana, o Wagnão.

“Isso não vamos admitir. O abaixo-assinado é só mais uma ação entre tantas que ainda iremos realizar, como manifestações de rua e até greve geral, se necessário for, para combater essa retirada de direitos dos trabalhadores”, ressaltou.

O coordenador da representação na Volks, Wagner Lima, falou sobre a importância de organizar a base. “Estamos unidos e mobilizados para a luta contra essa reforma que tira o direito dos trabalhadores de se aposentar. Os companheiros na Volks estão prontos para a greve geral”, disse.

 

Uma hora para o futuro

Os representantes na Volks reforçaram a importância de adesão dos trabalhadores ao projeto “Uma Hora para o Futuro”, até o dia 10 de maio. O projeto atende 140 crianças e adolescentes. Procure seu representante.

“Acho que a apresentação do governo sobre a reforma e esse pedágio para quem está perto de aposentar é mentira. Por que não foi debatido com todos se é algo que o prejuízo vai ser só do trabalhador? Agora que estou perto de me aposentar, se aprovar a reforma já era”, Laudinei dos Santos, o Niquinho, montador, há 24 anos.

“Não vejo que a reforma seja positiva para nenhum trabalhador. É um absurdo. O dia a dia é difícil, com dupla jornada, cuidar da filha, da casa, fazer comida. Imagine o futuro da minha filha, que tem 1 ano e 11 meses. Se eu não conseguir me aposentar, imagine quem está começando agora?”, Maria Deniza de Barros, montagem final, há 8 anos.

“Estamos todos apreensivos porque impacta diretamente o ramo metalúrgico, que tem a maioria dos trabalhadores em condições insalubres, com periculosidade, além de altamente desgastantes. Se aprovada essa ‘deforma’, será impossível se aposentar. Ainda mais trabalhar até os 65 anos, isso se tiver emprego”, Eder Prete dos Santos, pintura, há 12 anos.

“Isso não é reforma, se fosse teria outro sentido. Para nós mulheres é um castigo. Fica uma perspectiva muito ruim de futuro. Nas regras atuais faltariam nove anos. Se a reforma passar, não terá como aposentar. Hoje com 45 anos já é complicado, imagine trabalhar mais quase 20 anos”, Rejane Gouveia de Oliveira, montagem, há 8 anos”.

“Estava aposentado por invalidez há 15 anos e a perícia mandou voltar para a fábrica. Tenho próteses nos quadris, joelho danificado, oito cirurgias. Estou esperando recurso da perícia e muito preocupado. Com essa reforma vai piorar. Se aposentar pela normal, vai defasar muito o benefício. Não tenho mais saúde” Cícero da Silva, o Fundão.

“Tenho 10 anos na linha e já sinto as limitações, com esforços repetitivos na linha. Sou mãe de cinco filhos, saio do trabalho e o resto do tempo é para eles. Isso não é reforma, chamo de ‘derrota’. Impossível aposentar. O Bolsonaro tem que trabalhar uma semana na linha para ver se aguenta”, Celma Rocha dos Santos Pereira, montagem, há 10 anos.