Trabalho no Mundo – IndustriALL adverte indústria automobilística do Congo por abuso em minas de cobalto

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A IndustriALL, que re­presenta os trabalhadores das indústrias de mineração e automobilística, está usando sua rede sindical global de centenas de sindicatos para conscientizar a indústria sobre os maus tratos da Glencore, na República Democrática do Congo, aos trabalhadores de cobalto na cadeia de forneci­mento de automóveis.

A indústria automobilística está se tornando cada vez mais dependente do cobalto, um metal utilizado em baterias, à medida que aumenta a pro­dução de veículos elétricos. A Glencore é o maior fornecedor mundial de cobalto.

Um relatório de uma mis­são de investigação da In­dustriALL ao país, no mês passado, revelou que os traba­lhadores que mineram cobalto nas minas Kameda Copper Company e Mutanda, ambas da Glencore têm apenas 750 ml de água potável por turno de 12 horas e que a Glencore fornece alimentos vencidos.

Não há chuveiros apropria­dos ou instalações de prote­ções contra a contaminação e doenças respiratórias ocupa­cionais para os trabalhadores e suas famílias: “Estamos tão imundos, quando chegamos em casa, que não podemos abraçar nossos filhos”, disse um trabalhador.

A missão também desco­briu que os trabalhadores e suas famílias têm que viajar 42 quilômetros até as instalações de saúde da Glencore, o que significa que eles devem partir às primeiras horas da manhã para retornar tarde da noite e, em alguns casos, sem receber tratamento.

A missão foi realizada a pedido urgente da afiliada da IndustriALL, TUMEC, no Congo, que representa os tra­balhadores das minas Kamoto Copper Company e Mutanda.

A TUMEC está conside­rando realizar uma greve sobre as disparidades salariais nas minas da Glencore, onde, por exemplo, um supervisor bran­co ganha US $ 4.000 por mês e seus assistentes congoleses imediatos ganham US $ 600 por mês.

O relatório destaca o des­respeito da Glencore pelo coletivo com a TUMEC e sua recusa em renegociar. A missão também descobriu que não houve aumento salarial para os trabalhadores em cinco anos.

Mais de 60% da oferta glo­bal de cobalto vem do Congo, que é um dos países mais pobres do mundo. A suíça Glencore espera que a deman­da pelo metal, que também é um componente chave para as baterias de telefones inteli­gentes, aumente em 67% nos próximos três anos. Os preços do cobalto mais do que dobra­ram no ano passado.

A IndustriALL está pedin­do a todos os fabricantes de carros que realizem a devida diligência no fornecimento de cobalto para a indústria.

“As empresas de automó­veis precisam atender às ex­pectativas de seus clientes de que os veículos elétricos que vendem são produzidos de forma responsável. O cobalto da Glencore, tão importante para as baterias desses veículos elétricos, é tudo menos isso”, afirmou o secretário-geral da IndustriALL, Valter Sanches.

Da Redação.