Volks: acordo como o de Taubaté não serve ao ABC

O nosso Sindicato e a Comissão de Fábrica dos Trabalhadores na Anchieta afirmaram que o acordo aprovado pelos metalúrgicos na Volks de Taubaté não serve de referência ao ABC.

Em assembléias realizadas ontem, o Sindicato e a Comissão de Fábrica afirmaram que o acordo aprovado pelos metalúrgicos na Volks de Taubaté não serve de referência aos companheiros na planta Anchieta.

Aprovado na última terça-feira, o acordo em Taubaté apresenta pontos que não atendem a necessidade dos companheiros daqui e está fora da realidade do ABC.

A primeira crítica é quanto às demissões. Será a fábrica quem indicará os companheiros a serem demitidos. Ou seja, não será um PDV.

A tabela salarial aprovada em Taubaté impõe um tempo de 9 anos para que o trabalhador chegue ao maior salário da função, quando hoje é de 4 anos. O alongamento do tempo favorece a rotatividade.

O conceito de retrabalho também permaneceu na lógica da montadora. Isso porque os limites do banco de horas foram ampliados, sendo que cada trabalhador poderá ter 40 horas mensais, sem receber essas horas como extras e sem adicional.

Parâmetro não – Apesar de reconhecer a autonomia dos companheiros de Taubaté, o presidente do nosso Sindicato, José Lopez Feijóo, acredita que o sindicato dos metalúrgicos na cidade vacilou ao aceitar a pressão da montadora, o que diminuiu a capacidade conjunta de enfrentamento dos trabalhadores nas demais plantas.

“Não sei se conseguiremos manter o  mesmo grau de articulação entre os sindicatos e isso aumenta muito a nossa responsabilidade no enfrentamento com a Volks”, afirmou Feijóo.

Segundo ele, toda a ação do Sindicato está voltada agora para a mobilização dos companheiros e companheiras na planta Anchieta. “Temos de aguardar o que a fábrica fará, pois aqui há a garantia de emprego até novembro. Como a campanha salarial está resolvida, nosso esforço será para organizar a luta”, explicou.

Para o dirigente, o Sindicato continua aberto ao  diálogo com a fábrica, desde que seja dentro de uma lógica de não haver demissões impostas e com uma alternativa que não seja o ataque aos direitos .

“Sei que a Volks tentará usar o acordo de Taubaté como parâmetro, mas não aceitaremos a imposição”, comentou.