2023 – Um ano para reconstruir o Brasil

O Brasil é uma potência que não consegue se libertar do seu longo ciclo de autossabotagem.

Na história recente, por um curto período, de fato experimentamos essa superação: entre 2003 e 2014, mesmo passando por uma das piores crises globais da história, a crise financeira de 2009, a economia brasileira cresceu, em média, 3,5% ao ano.

No entanto, desde 2015, quando pela primeira vez o candidato derrotado nas urnas mobiliza sua base para contestar a legitimidade do resultado, temos recessão e estagnação como marcas desse já longo período, com uma economia que cai, em média, a uma taxa de -0,26% ao ano.

Na última quinta-feira, o IBGE divulgou que o PIB do Brasil cresceu apenas 0,4% no terceiro trimestre em relação ao trimestre anterior. Com desempenho abaixo do esperado, mostra que a sensação de retomada não se confirma, e sinaliza para uma atividade econômica fraca nos primeiros meses de 2023.

Nesse cenário, o presidente Lula já atua como se fosse o governante, dada a absoluta ausência do desgoverno que enfim termina em 2022. A PEC da transição escancara o completo desastre do orçamento federal proposto pelo atual governo, sem recursos para o aumento do salário mínimo, para a manutenção do programa Bolsa Família em R$ 600, para a atualização da tabela do Imposto de Renda, para políticas de saúde e habitação, entre outras.

Mais ainda anuncia-se que o atual governo deixa um rombo estimado em R$ 400 bilhões, e o próprio pagamento das aposentadorias está sem recursos garantidos. A tarefa de reconstrução das políticas públicas será imensa, mas é o que nos cabe fazer, ao longo dos próximos quatro anos. Que 2023 seja o início desse processo, pois o Brasil pode muito mais!

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