3 mil manifestantes defendem a Petrobras em Brasília

Apesar de forte esquema de segurança do Senado, os trabalhadores conseguiram realizar ato político para cobrar a retomada do monopólio estatal do petróleo e uma Petrobras 100% pública e com compromisso social

Cerca de três mil trabalhadores, estudantes e militantes de movimentos sociais deram nesta quarta-feira um abraço simbólico no Congresso Nacional para exigir a retomada do monopólio estatal do petróleo, uma Petrobras 100% pública e com compromisso social.

“Esse ato não é a favor ou contra a CPI da Petrobras. Seu objetivo é mostrar que não se deve colocar esse assunto em pauta quando temas mais importantes, como a redução da jornada de trabalho, não são discutidos pelo Congresso”, afirmou o presidente da CUT, Artur Henrique.

Ele acredita que a instalação de uma CPI em meio à crise econômica econômica mundial é um jogo eleitoreiro da oposição para inviabilizar ações do governo como o PAC – Programa de Aceleração do Crescimento.

“A CPI foi aprovada antes da opinião de instrumentos de fiscalização eficientes como a Advocacia Geral da União, a Controladoria Geral da União e o Tribunal de Contas”, destacou Artur.

Da Agência Senado

Os manifestantes estão desde o início da manhã desta quarta-feira (3), tentando ocupar o Salão Verde do Senado Federal

O Congresso armou um forte esquema de segurança, tentando impedir o acesso dos manifestantes às instalações do Senado, dificultando, inclusive, o trânsito entre os gabinetes dos parlamentares. A FUP, CUT e CTB decidiram transferir o ato para o Auditório Nereu Ramos, na Câmara dos Deputados, onde começa nesta quarta-feira o seminário “O Brasil diante do pré-sal”, organizado pela Comissão de Minas e Energia.

Dezenas de caravanas de trabalhadores e militantes dos movimentos sociais chegaram à Brasília para o ato, vindas de vários estados do País. Os sindicatos de petroleiros filiados à FUP enviaram 11 ônibus para a manifestação, com trabalhadores da Bahia, Minas Gerais, Espírito Santo, Duque de Caxias, Norte Fluminense e de São Paulo.

Empregos
Os manifestantes entregaram uma carta aberta aos parlamentares pedindo urgência na aprovação de uma nova lei do petróleo, que acabe com os leilões e crie um fundo social soberano para gerir as riquezas do pré-sal.

No ato realizado em frente ao Congresso, os manifestantes criticaram a CPI, afirmando que ela é uma manobra para dificultar mudanças na atual legislação do petróleo e retomar o projeto neoliberal de privatização da Petrobras.

Até 2013, a Petrobras vai investir R$ 201 bilhões nas áreas de exploração e produção de petróleo. Esses recursos devem gerar mais de um milhão de novos postos de trabalho, sendo 267 mil empregos diretos e outros 777 mil indiretos, relacionados à cadeia produtiva.

CARTA ABERTA AOS PARLAMENTARES
Por uma Petrobrás 100% pública e com compromisso social!
Pela retomada do monopólio estatal do petróleo!
Os trabalhadores, estudantes, militantes sociais e todos os brasileiros que defendem a soberania nacional estão nas ruas, de prontidão, para impedir qualquer tentativa de retomada do projeto de privatização da Petrobrás. A CPI instalada no Senado tem por objetivo desestabilizar a maior empresa pública da América Latina, que tem sido fundamental para alavancar o crescimento do nosso país, movimentando a economia, gerando empregos e fazendo do Brasil uma potência mundial na produção de petróleo e gás e no desenvolvimento de tecnologias de ponta.
Tanto o Banco Mundial, quanto o FMI, vêm destacando que a economia brasileira apresenta um diferencial em relação aos demais países nesta que é a maior crise econômica que o mundo moderno já passou. Este diferencial tem nome: a Petrobrás, que, sozinha, responde por mais de 20% de todos os investimentos anualmente feitos no país. É neste cenário de mundo em crise, com claros reflexos na economia brasileira, que os parlamentares da oposição resolveram instalar uma CPI para investigar a empresa. Eles sabem que uma investigação do Senado Federal pode dificultar a captação dos recursos internacionais que são fundamentais para a Petrobrás realizar seus investimentos previstos.
Querem parar a Petrobrás para que os efeitos da crise internacional no país se agravem. Mais do que isso, querem que o governo recue na sua intenção de fazer chegar aos mais pobres a riqueza gerada com a exploração do pré-sal. Uma riqueza estimada entre US$ 3 trilhões e US$ 9 trilhões! Estas são as reais intenções da CPI armada contra a Petrobrás, que tem por objetivo impedir mudanças na atual legislação, beneficiando as multinacionais que querem continuar explorando, de forma predatória, o petróleo brasileiro.
A campanha “O petróleo tem que ser nosso” aglutinou trabalhadores, estudantes, movimentos populares e frentes de esquerda na luta por uma nova legislação, que restabeleça o monopólio estatal do petróleo e uma Petrobrás 100% pública e com compromisso social. Só assim, garantiremos que as riquezas geradas pelo pré-sal sejam utilizadas em benefício da população e não dos grupos econômicos privados. Portanto, a Federação Única dos Petroleiros (FUP), a Central Única dos Trabalhadores (CUT) e a Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) continuarão nas ruas, de prontidão, defendendo o patrimônio público e a soberania nacional, desmascarando esses parlamentares entreguistas e antipatriotas
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Da Agência Senado