40 anos do 1º de Maio que abalou a ditadura

O 1º de Maio de 1980 foi o ápice de um processo de lutas dos metalúrgicos do ABC que começou com as greves de 1978 e que transbordou para todo o Brasil como epicentro da luta contra a ditadura.

Foto: arquivo smabc

O 1º de Maio é a data em que se comemora internacionalmente o dia dos trabalhadores e das trabalhadoras. A data homenageia a greve geral dos trabalhadores de Chicago, nos Estados Unidos, em 1886, que lutavam por melhores condições de trabalho, incluindo a redução da jornada de trabalho para oito horas diárias. Em 1889, o Congresso Socialista Internacional, realizado em Paris, adotou o dia 1º de Maio como data internacional de luta dos trabalhadores.

No Brasil o 1º de Maio é comemorado pelos trabalhadores desde 1895 e ganhou maior adesão a partir da Greve Geral de 1917. Desde então, em algumas conjunturas políticas as comemorações do 1º de Maio se revestiram de significado especial de protesto e resistência à opressão política contra os trabalhadores e ao povo em geral. Assim aconteceu com o 1º de Maio de 1980 ocorrido na cidade de São Bernardo do Campo, que se tornou a mais contundente manifestação contra a Ditadura Militar e um dos acontecimentos-chave que impulsionou a luta pela redemocratização do país. 

Foto: arquivo smabc

Ocorreu durante a Greve dos Metalúrgicos do ABC que alcançava o seu trigésimo dia, com o Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo e Diadema sob intervenção e com grande parte da direção cassada pelo regime militar, incluindo a principal liderança do movimento, Luiz Inácio da Silva, já popularizado como Lula. 

O cenário era de enfrentamento. Na manhã de 1º de Maio de 1980, a cidade de São Bernardo acordou com o barulho das sirenes das viaturas que anunciavam a grande movimentação de tropas da polícia militar que tinham a missão de evitar que os trabalhadores se reunissem e comemorassem seu dia e tornassem o 1º de Maio uma manifestação contra a ditadura como ocorrera em 1979.

Foto: arquivo smabc

Ao mesmo tempo, começavam a chegar trabalhadores em grande número que se aglomeraram dentro da Igreja Matriz e depois no seu entorno aumentando a temperatura da tensão entre policiais e grevistas. Em poucas horas os oito mil policiais se viram cercados por uma multidão de 100 mil pessoas que chegavam de São Paulo e das cidades vizinhas. A essa multidão se somavam estudantes, artistas, intelectuais e parlamentares da oposição. 

Depois de várias provocações da polícia que a multidão respondia com palavras “Abaixo a ditadura”, “soldado você também é explorado”, “Lula Livre”, alguns parlamentares presentes negociaram a retirada do aparato repressivo comandada pelo coronel Braga. Enquanto as tropas da Polícia Militar se retiravam os milhares de manifestantes vibravam com a conquista. Foi um acontecimento simbólico de grande significado: “Trabalhador unido jamais será vencido”, que foi entoado por 100 mil pessoas.

Foto: arquivo smabc

Vencida a repressão, os trabalhadores rumaram em passeata para o Estádio da Vila Euclides contornando o Paço Municipal e realizaram o maior 1º de Maio de protesto que o Brasil já assistira. As cenas da passeata com as mulheres à frente segurando flores e faixas estão registradas nos filmes de Renato Tapajós “A Luta do Povo” e “Linha de Montagem”, que também rodou o mundo, divulgados por uma imprensa que também lutava por liberdade, tornando os metalúrgicos do ABC conhecidos em várias partes do mundo.   

Foto: arquivo smabc

O 1º de Maio de 1980 foi o ápice de um processo de lutas dos metalúrgicos do ABC que começou com as greves de 1978 e que transbordou para todo o Brasil como epicentro da luta contra a ditadura. A história do Brasil começava a mudar quando trabalhadores demonstravam que unidos jamais seriam vencidos e, assim, rompiam com o “pacto das elites” fazendo da luta pela democracia a luta do povo brasileiro.

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