90 anos: a voz e a vez do voto feminino

Ao comemoramos os 90 anos da conquista do voto feminino, revisitamos uma história de muitos percalços, sinalizando o modo como as conquistas se dão: muita insistência, resistência e perseverança.

Foto: Divulgação

A mudança no Código Eleitoral com Vargas em 1932 dá-se pelas lutas protagonizadas por mulheres feministas exigindo direitos políticos através de edições de jornais, peças teatrais, e movimentos que aconteciam desde o final do século XIX.

Elas compreendiam a importância do voto feminino para mudança efetiva das condições das mulheres na sociedade brasileira. Não se tinha à época, as mesmas inserções no campo educacional o que limitava a atuação feminina nos setores públicos. E não estando as mulheres na vida pública, continuavam privadas de educação. Aprendiam apenas o cuidado dos lares e de seus cônjuges.

Estar no campo político era essencial para mudar o equilíbrio na cidadania, mas eram muitas as resistências. Ainda em 1917 um deputado de SP explicava: “Ligada pelo voto de obediência está a mulher ao marido, que sobre a esposa tem o poder marital”.

O argumento fazia sentido, pois a lei previa o domínio do marido sobre a esposa, consideradas “incapazes” pelo primeiro código civil.

Até os dias atuais, esta tensão travestida de modos de vida, justificam hierarquias, naturalizam desigualdades.

O enorme retrocesso proposto pelo atual governo no campo dos costumes e no olhar sobre o papel submisso das mulheres nos faz retomar embates de 100 anos atrás.

No entanto, temos nas mulheres os maiores índices de resistência ao governo de Bolsonaro, como demonstram as pesquisas de intenção de voto. Para garantir o que foi conquistado a tão duras penas, elas puxam o coro: “ELE NÃO”.

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