94 anos do voto feminino: Sindicato convoca mulheres para protagonismo nas eleições 2026
Entidade destaca que voto consciente e candidatura de trabalhadoras são ferramentas para garantir que pautas sociais avancem no próximo ciclo eleitoral

Das fábricas às urnas, a força que move a produção é a mesma que sustenta a democracia brasileira. Ao celebrar nesta terça-feira (24) os 94 anos da conquista do voto feminino, o Sindicato reafirma que a participação da mulher na política não é uma concessão, mas a própria sobrevivência da classe trabalhadora. Enquanto a representatividade não refletir a face real do povo nas instâncias de decisão, as pautas sociais seguirão em segundo plano. Para a categoria, é tempo de transformar o voto em ocupação direta dos espaços de poder.
Para Andrea Sousa, a Nega, diretora do Sindicato, a data é o alicerce da disputa real pelo poder. “Não se trata apenas de apertar botões; é sobre ocupação. Somos a maioria da população e precisamos de representantes que legislem sob o nosso olhar. Ocupar espaços de decisão é um ato de sobrevivência política”, defende. O impacto é matemático: em 2022, as mulheres foram 52% do eleitorado, funcionando como o fiel da balança que decide o destino do país.
Pioneirismo
Enquanto a Nova Zelândia largava na frente em 1893, o Brasil patinava em preconceitos. Foi contra esse muro que mulheres como Leolinda Daltro — apelidada de “mulher do diabo” por ser desquitada e politicamente ativa — lutaram. Ela fundou o Partido Republicano Feminino em 1910, exigindo dignidade e voz. Andrea ressalta que essa coragem reflete no hoje: “O machismo tentou nos rotular para nos afastar da política, mas transformamos o estigma em combustível. Aquelas pioneiras abriram caminho para que pudéssemos questionar por que ainda somos minoria nos cargos eletivos”.
Antes da lei nacional, o Rio Grande do Norte já dava aulas de democracia. Em 1928, a professora Celina Guimarães Viana tornou-se a primeira eleitora do país em Mossoró. No mesmo ano, Alzira Soriano foi eleita a primeira prefeita da América Latina em Lajes. Eram lampejos de um futuro que ainda enfrentaria barreiras: o código de 1932 ainda exigia aval do marido para casadas votarem. A obrigatoriedade total só veio em 1946.

Poder de reconstruir
Hoje, o cenário é de resgate histórico. Após períodos de direitos negligenciados, o protagonismo feminino é a chave para reconstruir políticas públicas. Andrea conclui com um chamado à ação focado no futuro próximo. “O país viveu um momento de retrocesso com a retirada de direitos e enfraquecimento das políticas sociais de 2016 até 2023. O governo do presidente Lula tem tido um papel importante na reconstrução do país”, afirma.
Para a diretora, o papel das mulheres nas eleições de 2026 será determinante para que essa base seja sólida. Ela levanta um questionamento sobre a segurança e a representatividade: “E se a maioria na política fosse feminina, ainda seríamos vítimas de tanta violência? Lutamos muito, mas o sistema atual não basta”.
E concluiu: “A participação feminina é urgente e vai além do ato de votar, precisamos ampliar nossa presença nas urnas. Não podemos dar o nosso voto a quem nos desrespeita e ignora nossos direitos. Nossa categoria é protagonista e nossa organização é o que garante que os avanços não sejam apenas temporários”.
A conquista de 1932 não foi o fim da linha, mas o início de uma jornada para garantir que “ser votada” vire realidade em cada prefeitura e ministério do país. Afinal, democracia sem mulher é apenas metade da história.