Salão vira nova plataforma para lançamentos mundiais
Evento confirma importância do setor automotivo no Brasil. Trabalhadores terão empregos de maior qualidade

Última edição do Salão do Automóvel, em 2010. Foto: Divulgação
Após o recorde histórico de 3,4 milhões de veículos comercializados em 2011, outros três milhões previstos para este ano e novo recorde histórico de vendas em agosto, com 405 mil unidades emplacadas em apenas um mês, o País transformou-se em plataforma de lançamentos mundiais da indústria automobilística.
O setor representa atualmente perto de 21% do PIB da indústria nacional e movimenta outras áreas, como a financeira, já que 65% dos carros novos são vendidos por meio de financiamento. Em dinheiro, isto significa um movimento de cerca de R$ 1 trilhão por ano.
A quantia seria o 15º maior PIB do mundo, superior às economias da Argentina, Áustria, Noruega, Bélgica, Suécia, Arábia Saudita ou México, por exemplo, e ocupa o quarto maior mercado mundial.
Números robustos como esses – somos o quarto maior mercado mundial –, aliados às oportunidades surgidas com o novo Regime Automotivo (Inovar-Auto) encheram os olhos dos grandes fabricantes. O Brasil já tem fábricas de 13 empresas. Outras três estão em construção.
Chefões confirmam
Três dos mais influentes executivos do setor no planeta confirmaram essa importância em declarações feitas na abertura do Salão.
“O Brasil se tornou o segundo mercado mais forte do planeta, depois da China e à frente da Alemanha”, disse Martin Winterkorn, presidente mundial da Volks. “Quando se fala em carros compactos, o Brasil é o centro do universo”, ressaltou Jim Farley, um dos vice-presidentes da Ford. “Investimos de mais de R$ 5 bilhões nos últimos cinco anos e vamos continuar investindo aqui”, contou a presidenta da General Motors do Brasil, Grace Lieblein.
Inovar-Auto apressa investimentos
Com toda essa efervescência, uma nova onda de investimentos na indústria automobilística do País é anunciada no Salão, com destaque para novas fábricas, ampliação de capacidade produtiva, lançamentos de carros globais e locais e projetos de pesquisa e desenvolvimento.
Cálculos da Anfavea (o sindicato das montadoras) estimam que as empresas do setor devem investir R$ 13,8 bilhões em inovação para atender as novas metas do regime automotivo, o Inovar-Auto.
A Nissan será a primeira, com a inauguração em janeiro de 2014 de sua fábrica no Rio de Janeiro com a produção do compacto March (hoje importado do México) e pretende chegar ao fim do ano com a produção de quatro modelos, outro fato inédito para uma montadora local.
Volks inova
Em feito inédito, a Volks mostrou o Taigun, que o grupo trata como conceito, mas será fabricado em vários países, inclusive no Brasil. “Pela primeira vez escolhemos o Brasil para um lançamento mundial”, disse o presidente da montadora no Brasil, Thomas Schmall.
A prova mais forte da nova fase não está só nas fábricas. Quatro empresas confirmaram que trarão centros de pesquisa para o País, a Nissan, a Hyundai, a JAC e a Chery.
A ideia é ganhar competitividade em um mercado cada vez mais concorrido e atender as exigências de investimento em pesquisa, inovação e engenharia, previstas no novo Regime Automotivo, o Inovar-Auto.
Segundo Schmall, o regime vai obrigar um foco maior em tecnologia. Para o vice-presidente da Ford, Rogério Golfarb, as empresas terão de investir mais.
Wagnão: Governo e empresas terão que investir em qualificação. Foto: Paulo de Souza / SMABC
Jovens serão maiores beneficiados
Na opinião do secretário-geral do Sindicato, Wagner Santana, o Wagnão, os maiores beneficiários de toda essa movimentação serão os jovens.
“O setor passará a requisitar a mão-de-obra de ponta, área que hoje é pouco absorvida e recebe pequena atenção do Poder Público e das empresas”, diz o dirigente.
“Novas escolas técnicas e profissionais serão construídas e absorverão trabalhadores jovens que, ao contrário da Europa onde 50% da juventude está sem emprego e sem perspectiva, repetindo a déca perdida de 1980 no Brasil, terão grandes possibilidades pela frente”, conclui Wagnão.
Da Redação