Ford lança caminhões projetados no Brasil
Numa ação inédita, a Ford lança hoje uma linha completa com 11 caminhões da família Cargo que vão substituir toda a gama atual. Os novos veículos foram completamente desenvolvidos pela engenharia brasileira, fato que também ocorre pela primeira vez, afirma o presidente da empresa no Brasil e no Mercosul, Marcos de Oliveira.
Antes, os caminhões Cargo eram feitos em plataforma europeia. A nova geração, segundo Oliveira, foi liderada pela equipe local, embora com alguma participação de técnicos da Europa e dos Estados Unidos. “Em sua essência, a maior parte da engenharia é 100% brasileira e os caminhões estão na categoria de veículos globais.”
Os novos caminhões com capacidade para transportar de 13 a 31 toneladas de carga, começarão a ser vendidos em maio. Os preços ainda não foram divulgados. Os veículos também serão exportados para vários países da América do Sul, como Argentina, Chile e Venezuela.
Além de substituir a linha atual, a nova gama introduz a primeira versão com cabine dupla da marca para atender à demanda de motoristas que fazem viagens de longa distância.
Para produzir esse modelo na fábrica de São Bernardo do Campo, no ABC paulista, Oliveira conta que foi necessário refazer o teto na área da tapeçaria para acomodar as cabines, que na versão leito são cerca de 30 centímetros mais altas que a comum.
“Foi preciso aumentar o pé direito do prédio”, informa Oliveira. A fábrica passará a produzir 22 caminhões por hora, sendo uma das mais produtivas do segmento no País, diz o presidente da Ford.
Entre as mudanças realizadas na nova linha estão o design da cabine, introdução da transmissão sincronizada (facilita a troca de marchas) e aperfeiçoamento das suspensões e sistema de amortecimento, que tornam o dirigir mais confortável para o motorista. A cabine também recebeu vários porta-trecos e um painel de mais fácil acesso ao condutor.
“O novo Ford Cargo tem mais de 1.500 peças totalmente novas, com nível maior de complexidade, eletrônica embarcada e equipamentos. O processo de submontagem do painel permite atender os rígidos requisitos de qualidade e simplifica a montagem final”, informa o diretor de Operações de Caminhões da Ford, Oswaldo Jardim.
O desenvolvimento da nova linha faz parte do programa de investimento de R$ 670 milhões até 2013 para as operações de caminhões da Ford no País.
Participação. A Ford não tem veículos no segmento de extrapesados, dominado por Mercedes-Benz, Volvo e Scania. Nas categorias em que atua, a marca tem 24% de participação nas vendas nacionais. No mercado total, responde por 18% das vendas, ficando em terceiro lugar no ranking de fabricantes (com 28 mil unidades em 2010), atrás da MAN/Volkswagen e da Mercedes-Benz.
A Ford projeta vendas totais para este ano de 170 mil caminhões, ante 158 mil em 2010. “O crescimento econômico vai continuar puxando esse mercado, com investimentos na área agrícola, construção civil e infraestrutura”, diz Oliveira.
O executivo afirma que o mercado de caminhões é o indicador da robustez da economia. “De toda a riqueza transportada no Brasil, 60% são por rodovias, em caminhões.”
Corrida
Para o diretor da consultoria internacional Roland Berger, Stephan Keese, as montadoras brasileiras estão antecipando lançamentos e produção este ano em parte por causa da mudança na legislação de emissões do diesel, que a partir de 2012 ficam mais rigorosas com a entrada em vigor da chamada norma Euro V.
A norma vai exigir investimentos em novas tecnologias, o que vai resultar em aumento dos preços dos caminhões. “Mas ela só vai valer para os veículos que forem lançados a partir de 2012; aqueles que forem lançados antes não precisarão atender às novas regras”, afirma Kees.
Para Paulo Roberto Garbossa, diretor da consultoria ADK, a necessidade de investimentos em infraestrutura para os projetos da Copa, Olimpíada, Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) também vão puxar as vendas de veículos pesados este ano.
“A frota hoje é velha e precisa ser modernizada para atender à demanda”, diz Garbossa. Ele lembra que a concorrência nesse segmento é grande e que novos grupos estão interessados em atuar no País, incluindo chineses, que já estão marcando presença no setor de automóveis.
Do Estadão