Arena debate a construção de uma sociedade de paz

Silmara Conchão, Ana Nice, Denise Motta Dau, Maria Frô e Rafael Marques

Trabalhadoras na base e em outras categorias se reuniram na Sede durante a Arena Metalúrgica, que debateu as faces da vio­lência contra a mulher e suas formas de combate. O encontro foi realizado na última quarta­-feira, dia 19.

A atividade Ser valente é combater a violência contra a mulher aconteceu pelo Dia Internacional de Combate à Violência Contra a Mulher, instituído em 25 de novembro de 1960. A data é lembrada hoje em todo o mundo.

“O Sindicato apoia esse de­bate para que a gente promova a paz e o entendimento”, afirmou o presidente do Sindicato, Ra­fael Marques, na abertura da Arena. “Para que cada vez mais homens e mulheres construam um país igualitário, que respeite o seu cidadão, independente de sexo, religião ou raça”, com­pletou.

A coordenadora da Comis­são das Metalúrgicas do ABC e diretora executiva, Ana Nice Martins de Carvalho, lembrou que campanhas como a do Laço Branco e outras apoiadas pela categoria têm contribuído para o desafio de acabar com as diversas formas de violência que a mulher está exposta.

“As diferenças salariais entre homens e mulheres precisam ser combatidas, principalmente no acesso aos cargos de chefia”, disse Ana Nice. “Essa dificulda­de de ascensão da mulher é um dos motivos para existir esta diferença”, analisou a dirigente.

Ela reforçou o repúdio aos mais de 50 mil estupros notifi­cados no Brasil no ano passado. ” Precisamos criar mecanismos de segurança para impedir que isso aconteça”.

A secretária de Políticas para as Mulheres de São Paulo, Denise Motta Dau, palestrante da Arena, apresentou dados de pesquisa sobre a percepção da sociedade sobre violência e assassinatos de mulheres.

“56% dos homens admitem já terem empurrado, xingado, dado tapa, humilhado, obriga­do a fazer sexo ou impedido a mulher de sair de casa”, relatou Denise. “Mas nenhum deles reconhece isso como um ato de violência”, alertou.

Outro dado alarmante apontado pela pesquisa é a sociedade brasileira ainda res­ponsabilizar a mulher pela vio­lência sofrida. “É muito comum ouvirmos comentários como, ‘também com essa roupa’, para justificar um estupro ou violên­cia contra a mulher”, destacou a blogueira Maria Frô, outra palestrante da Arena.

“As mulheres não podem aceitar isso ou reproduzir essa justificativa para a imensa vio­lência que vem sendo pratica­da”, disse.

Para a blogueira, a tática usada pelos opressores é a de desumanização de um de­terminado grupo social. “Foi assim com os negros, na época da escravidão; com os judeus, no nazismo e é assim com a mulher”, denunciou Maria Frô. “Nem a roupa nem o compor­tamento de quem quer que seja pode ser usado para cometer um ato de violência”, ponderou.

Segundo a secretária de Políticas para as Mulheres de Santo André, Silmara Conchão, a Lei Maria da Penha veio res­gatar a mulher deste estado de ‘coisas’.

“A violência contra a mu­lher é um problema social e as esferas de governo municipal, estadual e federal têm que in­tervir para interromper esse processo”, defendeu.

Veja abaixo fotos do evento. Mais imagens em http://goo.gl/OtZCrV.

Da Redação