Agronegócio cresce mais em áreas de desmatamento e trabalho escravo
Cruzamento de dados mostra que fronteira agrícola se expande nas áreas mais desmatadas na região amazônica, as mesmas onde se registra mais trabalho escravo.
As ocorrências de trabalho
escravo no Brasil ainda
resistem porque estão vinculadas
à expansão de atividades
agrícolas que contam
com preços internacionais
favoráveis. A avaliação é do
coordenador da campanha
de combate ao trabalho escravo
da Comissão Pastoral
da Terra (CPT), Frei Xavier
Plassat.
Já o avanço da produção
agropecuária em direção
ao sul de Rondônia e
do Pará e ao norte do Mato
Grosso com a ocupação desordenada
de terras públicas,
inclusive em unidades de
conservação ambiental, são
as maiores ameaças à Floresta
Amazônica, segundo o
Ministério Público no Pará.
(Veja gráficos abaixo)
Ao lembrar que a Região
Centro-Oeste já superou a
Região Norte em número
de trabalhadores explorados,
frei Xavier afirmou que
“isso significa que o avanço
do agronegócio, da cana e da
soja no cerrado se faz à custa
de trabalho degradante.”
Nas áreas amazônicas
que sofrem com o desmatamento,
o avanço predominante é o da criação de
gado, verificou o Ministério
Público Federal no Pará.
Em 2007, segundo a
CPT, foram libertadas pelas
equipes móveis do Ministério
do Trabalho 5.900 pessoas
submetidas a condições
semelhantes às da escravidão.
Desse total, 2.829 foram
encontradas no Centro-Oeste, 2.036 no Norte e 743
no Nordeste.
A CPT aponta avanços
crescentes na fiscalização,
pois 80% das libertações
ocorridas (contabilizadas
desde 1995) se deram a partir
de 2003.
O coordenador da CPT
revela que aproximadamente
60% das denúncias de trabalho
degradante recebidas
pela entidade se referem à
pecuária, seguida pela soja,
algodão, cana e carvoarias.
Para o cientista político
Leonardo Sakamoto, da Comissão
para a Erradicação
do Trabalho Escravo, quanto
maior o preço, maior o interesse
nesses produtos e maior
o interesse em abrir novas
áreas. “O trabalho escravo
está principalmente nesse
momento,” descreveu.

Desmatadores serão processados
A ministra do Meio
Ambiente, Marina Silva,
informou ontem que o governo
elabora uma lista que
identificará os 150 empresários
que mais desmatam
ilegalmente no País.
“Criamos um grupo de
responsabilização criminal
onde estamos trabalhando
os 150 maiores contraventores,
para que possamos
fazer um processo exemplar
de criminalização”,
explicou a ministra.
Segundo Marina Silva,
o governo já definiu que
só receberá financiamento
público quem cumprir a legislação
ambiental, a fim de
impedir que os empresários
que desmatam ilegalmente
tenham acesso a crédito.
Segundo Marina Silva,
o governo estuda que os
bancos privados também
adotem regras rígidas de
concessão.
“Só temos controle
sobre os bancos públicos.
Em relação aos outros
agentes financeiros, estamos
estudando a legislação
para ver quais devem
ser tomadas”, explicou a
ministra.
Pela lei de preservação,
os donos de terra na
Amazônia são obrigados a
preservar 80% da área de
suas propriedades e podem
explorar os outros 20%.