Prefeitura de São Bernardo cancela convênio com o MOVA

O edital que abre licitação para fi­nanciar o Programa de Alfabetização de Jovens e Adultos, o Mova, foi revogado pela atual administração da cidade de São Bernardo. Isso significa que R$ 400 mil não serão destinados aos alunos de 30 salas que buscam uma alternativa para sair do analfabetismo e da exclusão social.

O coordenador de São Bernardo do Sin­dicato e responsável pelo Mova na cidade, Nelsi Rodrigues, o Morcegão, afirmou que os educadores e as entidades envolvidas buscam uma explicação. “Vamos solicitar por escrito uma justificativa da prefeitura sobre o cancelamento do edital e também uma reunião com a secretária de Educa­ção, Suzana de Oliveira, para tratar do assunto”.

Até o momento a justificativa apresen­tada é que os cursos precisam de “reava­liação técnica”.

“Essa decisão traz um impacto social muito grande para a cidade, pois o pro­grama tem uma característica inclusiva de levar a educação para dentro dos bairros”, destacou o coordenador.

A educadora Vacilania Lopes de Oli­veira, há 14 anos no programa, também disse que não cruzará os braços diante da decisão. “A luta pela alfabetização é constante. O convênio com a prefeitura era muito importante e essa será uma perda muito grande, mas vamos lutar para que seja reestabelecido, pois a educação é um direito de todos”.

“Esse movimento tão importante não pode acabar assim. Tenho aluno de 89 anos que não tem condições de ir para a rede pública. Se o Mova terminar, acaba com o sonho deles. É um programa que dá certo e nosso trabalho deveria ser mais reconhecido, já que ajuda as pes­soas a crescerem como cidadãs”, frisou Marisa Vicentainer Andrade, educadora há 17 anos. 

MOVA não será extinto

Morcegão garantiu que, mesmo sem o apoio da prefeitura, o Mova continuará funcionando, uma vez que o projeto con­ta com a contribuição de entidades. No Programa, todos os educadores são vo­luntários e recebem apenas ajuda de custo.

Desde que teve início o convênio com a prefeitura, em 2010, o MOVA formou 5.518 alunos, ajudando a reduzir o índice de analfabetismo no município. A histó­ria do programa começou em 1995 por iniciativa do Sindicato e da prefeitura de Diadema para alfabetizar trabalhadores no chão de fábrica. No ano seguinte, o debate foi levado para a Câmara Regional do Grande ABC e ampliado para a região.

Vacilania Lopes de Oliveira

(Foto: Adonis Guerra)

Marisa Vicentainer Andrade

(Foto: Adonis Guerra)

Da Redação