Mercado em crise: carro zero km apenas para ricos

Era uma vez uma marca de carros de luxo que por pouco não atuou no segmento médio tradicional no mercado brasileiro, porém, antes da pandemia, mudou completamente sua atuação. Ela simplesmente cortou os carros mais baratos e reduziu bem a importação, trazendo modelos mais exclusivos e caros, que eram configuráveis antes mesmo de saírem da fábrica.

Qual era? A Audi. Sem saber, a marca alemã antecipou uma tendência que viraria regra no mercado brasileiro, atingindo mesmo quem não era rico. Numa quase volta aos anos 80, de inflação galopante, os preços dos carros dispararam e subiram tanto que, se alguém hoje disser que “carro zero km apenas para ricos é uma realidade”, não se engane, há certa razão. Com a escassez de chips após a quarentena de Covid-19, foi o pior impacto na indústria automotiva desde tempos imemoriais.

Se na Crise Mundial de 2009 o Brasil saiu “ileso”, dessa vez não escapou. Aliás, nenhum player mundial conseguiu evitar, nem mesmo a China. Isso turbinou os preços dos carros novos em escalas da época do Plano Cruzado, Dólar Black e Overnight… Com menor oferta e maior preço nos novos, os usados também subiram e a tal lenda do carro que é um investimento pareceu se concretizar numa bolha pós-quarentena. Assim, a estratégia das montadoras foi seguir a Audi, cortando os modelos mais baratos ou versões acessíveis para oferecer veículos de maior valor agregado, com margens melhores.

A escola – que não é a de Bauhaus, infelizmente – foi à risca, com o sumiço inicial dos carros PCD, passando para versões mais baratas e a extinção de modelos mais antigos, como Chevrolet Joy e Toyota Etios, por exemplo. Hoje, Fiat Mobi e Renault Kwid só existem praticamente para manter as frotas de serviços. Cassio Pagliarini, da Bright Consulting, concorda não haver mais espaço para carros básicos. Ele explica que os clientes também ficaram mais exigentes, demandando carros mais recheados para compensar o montante aplicado para a compra.

Do UOL