Robôs humanoides prometem eficiência, mas desafiam países emergentes
Alto custo e gargalos tecnológicos limitam adoção, apesar do potencial de ganhos industriais
Os robôs humanoides — conhecidos na ficção científica por reproduzirem feições humanas e executarem tarefas semelhantes às realizadas por pessoas — estão cada vez mais próximos de se tornarem parte da rotina das montadoras de veículos. Em agosto do ano passado, a chinesa Ubtech demonstrou que essa tecnologia já é aplicável no ambiente industrial, revelando inclusive o interesse de fabricantes como BYD e Volkswagen.
Poucos meses depois, em janeiro, durante a Consumer Electronics Show (CES), realizada nos Estados Unidos, foi a vez da Hyundai apresentar seu plano de “colaboração entre robôs e seres humanos” no ambiente fabril. Com a tecnologia se tornando palpável, a indústria automotiva passa a vivenciar uma possível nova quebra de paradigmas, tanto do ponto de vista técnico quanto social. A automação que simula a ação humana em múltiplos níveis reacende debates sobre produtividade, custos, relações de trabalho e o futuro do emprego industrial.
Para o gerente de operações da ABB, Wagner Anai, a presença de robôs humanoides nas fábricas é uma tendência clara, mas que deve se concentrar, ao menos neste primeiro momento, em países desenvolvidos e com produção industrial de alta escala. “Globalmente, países que enfrentam escassez de mão de obra, seja pelo custo elevado ou pelo envelhecimento da população, estão buscando essas soluções para manter altos níveis de produção”, afirma.
Segundo Anai, essa realidade ainda está distante do Brasil. O alto investimento necessário para adoção desse tipo de automação, aliado ao atual nível de ociosidade das fábricas, dificulta sua viabilidade no mercado nacional. Ele menciona também a falta de regulamentação. Os especialistas concordam que a adoção desses robôs deve se concentrar inicialmente em atividades insalubres, repetitivas ou que exijam alto nível de precisão, afastando trabalhadores humanos de riscos ergonômicos e das chamadas Lesões por Esforço Repetitivo (LER).
Do Automotive Business