Ford e BYD: Aliança inesperada que pode mudar o rumo dos híbridos

Por essa ninguém esperava. A Ford parece ter compreendido que, para vencer a nova fase do mercado automotivo, o segredo não é enfrentar a China de frente, mas sim aproveitar o que ela oferece de melhor. Segundo o Wall Street Journal, a montadora americana está em conversas avançadas com a BYD para o fornecimento de baterias de lítio-ferro-fosfato (LFP) para seus próximos lançamentos.

Esse movimento é carregado de pragmatismo: mostra que o entusiasmo inicial pelo carro 100% elétrico deu lugar a uma realidade mais equilibrada, onde os híbridos assumem o papel de protagonistas. A grande estrela dessa negociação é a química de fosfato de ferro-lítio (LFP). Diferente das baterias de níquel e cobalto (NMC) usadas na maioria dos elétricos de luxo, as baterias LFP da BYD abrem mão de materiais caros e escassos.

Na prática, isso se traduz em carros mais baratos de produzir e mais seguros, já que essa química possui uma estabilidade térmica excepcional: elas não liberam oxigênio se forem danificadas, o que reduz drasticamente o risco de incêndios. No Brasil, a notícia traz uma ironia histórica difícil de ignorar: a BYD hoje ocupa justamente o complexo industrial de Camaçari, que pertenceu à Ford por décadas.

Ver as duas marcas colaborando globalmente reforça que, na indústria moderna, a rivalidade termina onde a eficiência começa. Ao selar esse acordo, a Ford sinaliza que o futuro imediato será movido a parcerias inteligentes, garantindo que o carro eletrificado do futuro seja, acima de tudo, acessível e confiável para quem está atrás do volante.

Do InsideEVs