Plenária no Sindicato reafirma trabalho como eixo central do desenvolvimento nacional

Governo federal e Metalúrgicos do ABC debatem reindustrialização, fim da escala 6x1 e justiça fiscal para a classe trabalhadora na Sede, em São Bernardo

Fotos: Adonis Guerra

O solo sagrado dos Metalúrgicos do ABC foi palco, no último sábado (24), de um debate estratégico sobre os rumos da economia e os direitos laborais. Sob o lema “O futuro do Brasil passa pelo trabalho”, a plenária reuniu o ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, o presidente do Sindicato, Moisés Selerges, que também é pré-candidato a deputado federal, lideranças políticas e sindicais para discutir a urgência de levar as pautas da classe trabalhadora ao centro do Congresso Nacional.

Para Moisés Selerges, o mundo do trabalho enfrenta transformações profundas, como a transição energética e o impacto da inteligência artificial, que são ignoradas pelo Parlamento. “Infelizmente, não vemos uma Câmara ou um Senado que pautem as profissões do futuro. Existem frentes para o agronegócio e para o mercado, mas não existe a frente parlamentar do trabalho”, criticou o dirigente.

Selerges defendeu que o Sindicato, historicamente berço de grandes lideranças, deve continuar forjando representantes que compreendam o capitalismo de plataformas e as novas dinâmicas de produção.

O ministro Luiz Marinho reforçou a tese, destacando que o crescimento econômico no governo Lula é pautado pela distribuição de renda. Segundo ele, investir na base da pirâmide é o que dinamiza a produção industrial e agrícola. “O dinheiro na mão de muitos vira consumo e demanda; concentrado em poucos, vira apenas aplicação financeira”, pontuou Marinho. O ministro alertou ainda para a “pejotização” desenfreada, classificando como fraude a tentativa de transformar trabalhadores essenciais, como coletores de recicláveis, em empresas individuais para subtrair direitos.

Impacto na renda
Um dos temas centrais foi a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil. Marinho estima que a medida injetará R$ 110 bilhões na economia este ano. “É uma conquista que ajuda a tirar o Brasil do mapa da fome”, afirmou. Moisés complementou que o próximo passo é a isenção do IR sobre a PLR (Participação nos Lucros e Resultados). “É inconcebível que quem produz a riqueza pague imposto sobre a PLR, enquanto bancos recebem dividendos isentos”, questionou.

Desafios e mobilização para 2026
A redução da jornada de trabalho sem redução de salário e o fim da escala 6×1 também dominaram as discussões. Selerges classificou como “vergonhoso” o fato de a última redução de jornada ter ocorrido no século passado. Marinho, por sua vez, destacou que o avanço dessas pautas em 2026 dependerá da pressão popular. “84% da população é favorável ao fim da jornada 6×1. Se houver mobilização, nenhum parlamentar terá coragem de votar contra antes de pedir votos”, alertou o ministro.

No campo internacional, o acordo com a União Europeia foi tratado com cautela. Selerges demonstrou preocupação com o setor de autopeças diante da guerra tarifária global, mas ressaltou que, diferentemente da gestão anterior, o governo atual mantém o diálogo aberto para garantir que o Brasil não saia prejudicado na disputa geopolítica entre potências como China e Estados Unidos.