Metalúrgicos do ABC celebram certificação de cursos e reforçam aposta na formação sindical
Entidade entregou diplomas aos formandos em Libras, Cipeiros, Formação para Dirigentes e Realidade Brasileira: Trabalho, Indústria e Desenvolvimento
A cerimônia de certificação de quatro cursos estratégicos dos Metalúrgicos do ABC — Libras, Cipeiros, Formação para Dirigentes e Realidade Brasileira: Trabalho, Indústria e Desenvolvimento — reafirmou, no último sábado (31), uma tradição que já ultrapassa quatro décadas: a aposta no conhecimento como ferramenta de emancipação. O evento aconteceu na Sede, em São Bernardo, com a presença da base do Sindicato e familiares ao som da banda Rock in Volks, composta por trabalhadores na montadora.
A formação sindical no ABC não é um esforço isolado, mas um projeto coletivo que pulsa no dia a dia das fábricas e se materializa em salas de aula. Mais do que currículos técnicos, o que se viu foi a celebração de um projeto político-pedagógico que humaniza as relações de trabalho e prepara a categoria para os desafios de um mundo em constante mutação.
O diretor executivo Luiz Carlos da Silva Dias, o Luizão, abriu as reflexões destacando que a celebração era destinada àqueles que demonstraram persistência. “Este é um dia para festejar e comemorar quem se engajou nessa trajetória”, pontuou, ressaltando que o projeto de formação é um ato de justiça geracional.
Para Luizão, a educação é o que impede a estagnação social. “Nós não podemos ser egoístas a ponto de receber um mundo melhor e achar que apenas trabalhar e fazer tudo certinho é suficiente. O nosso papel, enquanto seres humanos e, principalmente, enquanto dirigentes deste Sindicato, é entregar um mundo melhor às próximas gerações”, afirmou. Ele enfatizou que o objetivo não é criar figuras heroicas, mas transformar mentes e corações para enfrentar injustiças, como os ataques às mulheres. “A vida só vale a pena se a gente reconhecer o que foi feito antes de nós e se comprometer em mudar o mundo para aqueles que ainda virão”.

Renovação
O presidente do Sindicato, Moisés Selerges, reforçou que a formação de novos quadros é a “tarefa número um” para garantir que a condução da entidade esteja em boas mãos nas próximas décadas. Ao olhar para os formandos, Moisés foi enfático: “Tenho certeza de que daqui sairão aqueles e aquelas que vão dirigir este Sindicato nos próximos anos. O investimento na base é o que garante a sobrevivência e a força da instituição”.
Moisés definiu o Sindicato como uma verdadeira “fábrica de lideranças”, sublinhando a urgência de incluir cada vez mais mulheres no protagonismo sindical. “Temos a necessidade de formar companheiras dirigentes para atuar não só nas fábricas, mas também fora, dialogando com a sociedade”. Para ele, a pergunta que fica é o motor da militância: “Quem, senão nós, para travar essa luta e mudar esta sociedade?”.
Valor da família
Um dos momentos mais sensíveis da cerimônia foi a fala do diretor administrativo, Wellington Messias Damasceno, que fez questão de saudar as famílias presentes. Ele reconheceu que a jornada de estudo — muitas vezes realizada aos finais de semana e após o expediente — exige um suporte doméstico fundamental. “Se a família não apoiar, dificilmente a companheira ou o companheiro consegue concluir”, admitiu.
Wellington contextualizou o peso dos diplomas entregues, equiparando-os a qualquer formação acadêmica pela dedicação exigida. Ele celebrou a metodologia que reuniu, na mesma sala, dirigentes, militantes e trabalhadores de base. “Não adianta termos aqui pessoas que entendam perfeitamente o papel técnico, mas não compreendam o papel político desta casa. A formação também humaniza nossas relações”. O diretor ainda reafirmou o compromisso financeiro e político da gestão com a área: “Apesar das dificuldades, nunca faltariam recursos para investir em formação. O mundo está mudando e nós precisamos acompanhar isso”.
Chão de fábrica vivo
Já Genildo Dias Pereira, o Gaúcho, coordenador do departamento de Saúde do Trabalhador e Meio Ambiente, trouxe o foco para a prática direta da solidariedade e da segurança. Ele destacou o impacto do curso de Libras, que certificou dirigentes e trabalhadores e, na sequência, exaltou a importância da parceria com a Fundacentro no curso para cipeiros.
Sobre a formação voltada à CIPA (Comissão Interna de Prevenção de Acidentes e de Assédio), Gaúcho ressaltou a consciência do dever cumprido em abordar temas cruciais como as normas NR-1 e NR-5, o combate aos assédios e a prevenção de acidentes. “Aos companheiros e companheiras que se dispuseram a fazer o curso, o meu carinho e o meu afeto”, finalizou.
Panorama dos cursos
A cerimônia também refletiu a densidade do conteúdo ministrado nos últimos anos. O curso de Formação para Dirigentes, por exemplo, contou com uma carga robusta de 204 horas que conectou trajetórias de vida à atuação política. Com debates que variaram de análises cinematográficas a discussões sobre a agenda neoliberal, a formação certificou 55 participantes, preparando-os para os desafios da organização sindical em nível local e internacional.
Já o curso Realidade Brasileira, realizado em parceria com a UFABC (Universidade Federal do ABC), o MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra) e outras organizações, promoveu uma reestruturação pedagógica baseada na educação popular. Em 2025, 40 educandos concluíram a jornada, incluindo dirigentes de outras regiões como Sorocaba (SP) e Belo Horizonte (MG), fortalecendo a visão crítica sobre a industrialização e o desenvolvimento sustentável.
Com os certificados em mãos e os discursos de incentivo na memória, os metalúrgicos e metalúrgicas do ABC encerram este ciclo prontos para o próximo desafio: transformar o conhecimento adquirido em ação direta por uma sociedade mais justa.