Chineses articulam novo capítulo na polêmica das cotas de CKD e SKD

A aparente tranquilidade demonstrada pelo presidente da Anfavea, Igor Calvet, durante a entrevista coletiva de divulgação do balanço da indústria automotiva de janeiro, na sexta-feira, 6, tende a se transformar em nova preocupação. Nenhum pleito para a renovação das cotas de importação de kits CKD e SKD eletrificados foi endereçado ao governo antes do fim do prazo, 31 de janeiro, quando os US$ 463 milhões acertados em agosto expiraram.

Mas, segundo apurou a reportagem da Agência AutoData, executivos de empresas com origem na China preparam novas visitas a representantes do governo para tentar alongar, de alguma forma, o benefício. São duas as frentes: a primeira é o estabelecimento de novas cotas, talvez menores, por mais um tempo. O argumento é que os kits CKD e SKD são importantes na transição da importação para a produção local, pois existe um prazo para que as máquinas estejam em plena operação nas novas fábricas.

A alíquota de importação, hoje, é de 10% a 30%, dependendo da tecnologia. Desde 1º de fevereiro ele incide a todos os kits importados, pois as cotas foram extintas. A próxima reunião do Gecex está agendada para 12 de fevereiro e, embora exista o temor de alguns executivos ligados à Anfavea, não deverá ter o tema em pauta. A articulação é para que ele volte a ser apreciado pelo comitê do MDIC após o carnaval, em reunião extraordinária, segundo relataram fontes à reportagem.

Em paralelo as empresas chinesas articulam a criação de um sistema de transição para novas entrantes, atrelado ao Mover, Programa Mobilidade Verde e Inovação. Quem se comprometer a produzir no Brasil ganha cota de importação de kits CKD e SKD por um breve período, enquanto estrutura a sua unidade produtiva. A industrialização por meio de kits CKD e SKD não tem boa recepção dentro do MDIC, segundo apurou a reportagem. A direção enxergada por gente do alto escalão é a de que quanto mais industrialização, melhor, e que criar cotas para kits que demandam apenas montagem nas fábricas vai no sentido oposto.

Da AutoData