Metalúrgicos do ABC celebram primeiro holerite com IR Zero em Brasília

Trabalhadores na Rassini e IGP entregaram ao presidente Lula contracheque enquadrado sem desconto. Medida injetará cerca de R$ 51 milhões por ano na categoria.

Fotos: Ricardo Stuckert

O dia 5 de fevereiro de 2026 já está marcado no calendário da dignidade do trabalhador brasileiro. Pela primeira vez, quem “rala” o mês inteiro para ganhar até R$ 5 mil abriu o holerite e deu de cara com uma notícia que parecia impossível: desconto zero de IR (Imposto de Renda). A promessa feita lá atrás pelo então candidato a presidente da República, Lula, no pátio da Volkswagen em São Bernardo, deixou de ser palavra dita para virar dinheiro vivo na mão de quem produz a riqueza deste país.

Para celebrar essa conquista que muda o orçamento doméstico, trabalhadores saíram do ABC paulista rumo a Brasília. Maria Júlia, metalúrgica na Rassini, em São Bernardo, e Clelson Matias, metalúrgico na IGP, em Diadema, foram os porta-vozes de milhões. Ao lado do presidente dos Metalúrgicos do ABC, Moisés Selerges, entregaram diretamente nas mãos do chefe de Estado brasileiro o “troféu” dessa luta: o primeiro holerite sem a mordida do Leão.

Essa não é apenas uma mudança de números em um papel; é justiça tributária. A correção da tabela do IR tem o poder de girar a roda da economia de um jeito que todo mundo ganha. Quando o trabalhador para de entregar uma fatia do seu esforço para o imposto, esse dinheiro vai direto para o supermercado, para a reforma da casa, para o lazer com os filhos e para o comércio do bairro.

Contracheque na mão
Moisés, visivelmente orgulhoso da categoria, mandou o recado direto. “Este 5 de fevereiro é um dia histórico. Ver o companheiro e a companheira da nossa base entregando o holerite sem desconto ao presidente Lula tem um simbolismo gigante. Isso prova que, quando a gente se mobiliza e luta, a vitória aparece. Nas fábricas, o pessoal comemorou com o contracheque na mão. É a chance de respirar mais aliviado no fim do mês. Se você ganha até R$ 5 mil, olhe seu holerite agora: esse dinheiro a mais é fruto da nossa união”.

O presidente Lula, que recebeu os holerites emoldurados como verdadeiras relíquias, reforçou o compromisso com quem vive do suor do rosto. “Esses quadros vão ficar na parede da minha sala. É a lembrança do dia em que o trabalhador recebeu seu pagamento sem pagar imposto de renda pela primeira vez. Recebi dois metalúrgicos do ABC que me deram esse presente: o antes e o depois. É um dia primoroso para o Brasil. Estamos fazendo o que é certo: cobrar menos de quem ganha menos e garantir que o salário renda de verdade”.

Desfecho
Números levantados pela subseção do Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos) no Sindicato mostram o tamanho da vitória. A ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda vai injetar cerca de R$ 51 milhões por ano na base dos Metalúrgicos do ABC, consolidando uma conquista histórica da classe trabalhadora e reafirmando a importância da mobilização sindical na defesa de uma tributação mais justa. E aponta: 48,8 mil trabalhadores e trabalhadoras — o equivalente a 68% da categoria — terão o imposto zerado ou reduzido.

Do total, 37,6 mil pessoas com renda de até R$ 5 mil passam a estar totalmente isentas do IR. Outros 11,2 mil trabalhadores, que recebem entre R$ 5.000,01 e R$ 7.350,00, terão diminuição no desconto mensal.

O que aconteceu neste mês de fevereiro de 2026 é o desfecho de anos de pressão e enfrentamento. Não foi presente, foi conquista. O novo teto de isenção e o desconto escalonado para quem ganha até R$ 7.350 mostram que é possível, sim, ter uma política que valorize quem trabalha.

Da promessa à isenção do IR
O que começou como um compromisso histórico na porta da Volks em São Bernardo, em 2022, tornou-se realidade através da força coletiva. A promessa de Lula de isentar quem ganha até R$ 5 mil não foi um presente, mas o combustível para uma jornada de luta que tomou as ruas e o Congresso.

Em 2025, os Metalúrgicos do ABC foram protagonistas. Da histórica caminhada pela Marechal Deodoro ao mar de vozes na Avenida Paulista, a categoria denunciou a injustiça tributária e exigiu o fim da escala 6×1. Em Brasília, a pressão foi constante: em reuniões com Arthur Lira e Hugo Motta, o Sindicato entregou 1,5 milhão de votos do Plebiscito Popular.

A presença física no plenário e a voz firme em audiências públicas no Senado dobraram a resistência política. Em novembro de 2025, a aprovação unânime e a sanção presidencial selaram a vitória. Desde 1º de janeiro de 2026, a justiça tributária está no bolso do trabalhador, provando que o país só avança quando a classe trabalhadora se mobiliza.