Alemanha: fornecedores reduzem investimentos e migram para outros países

Alto custo da energia elétrica, excesso de regras e tarifaço ameaçam a indústria local

Desde o tombo da pandemia, a produção automobilística na Alemanha se recuperou parcialmente e passou a girar em torno de 4,1 milhões de veículos por ano, com leve alta em 2025. Além disso, o país encerrou o ano como o segundo maior produtor mundial de carros elétricos, atrás apenas da China. Diante desse cenário, falar em “desindustrialização” parecia um exagero de retórica.

Agora, porém, o alerta vem de dentro da própria indústria. Uma pesquisa divulgada nesta semana pela VDA (Verband der Automobilindustrie, a Associação da Indústria Automotiva alemã) indica que pequenos e médios fornecedores estão abandonando a produção no país em busca de alternativas no exterior. É o chamado hollowing out (em tradução livre, “esvaziamento” ou “tornar oco”), metáfora usada por economistas para descrever o desaparecimento do “recheio” de algum setor — como uma árvore que parece saudável por fora, mas está ficando oca por dentro.

Realizado neste início de 2026 com 124 empresas do setor automotivo, o levantamento da VDA revela um cenário difícil de relativizar. Nada menos que 72% das companhias ouvidas planejam reduzir sua presença industrial na Alemanha. Segundo a presidente da VDA, Hildegard Müller, o problema é estrutural. Três fatores principais tornam a produção local cada vez menos competitiva: energia cara, burocracia/regulação e o efeito Trump.

O esvaziamento industrial começa a aparecer com força no mercado de trabalho. Hoje, 49% das empresas automotivas alemãs estão cortando vagas no país, enquanto apenas 7% fazem o mesmo em suas operações no exterior. Uma estimativa do Instituto de Economia Mundial (IfW Kiel), indica que até 78 mil empregos — cerca de 10% da força de trabalho automotiva alemã — podem ser extintos, com as operações migrando para a América do Norte e a Ásia até o fim de 2027.

Do Motor1