Brasil na Ciência – Polilaminina
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As lesões medulares (“meio”) da coluna vertebral, principalmente as traumáticas, são famosas por inativar os neurônios, que são os fios que movem os músculos. Se for ao nível do quadril, perde-se o movimento das pernas. Se for no pescoço , aí são os quatro (braços e pernas). Nesse “meio” da coluna não há só os neurônios em si. Os neurônios são como fios: precisam de isolamento e distância uns dos outros para funcionar.
Na UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), uma pesquisa de 25 anos levada pela professora Tatiana Coelho de Sampaio, bióloga, descobriu que uma substância, a laminina, era um dos fatores que faziam este isolamento e distância entre os neurônios, induzindo o crescimento do neurônio lesado e ajudando na recomposição dos tecidos após o trauma. Esta, então, polimerizou (ligou um monte de moléculas iguais juntas) e criou a polilaminina, com a qual começaram os testes.
As pesquisas experimentais, realizadas na universidade com oito pacientes voluntários (com lesão grave na medula), trouxeram resultados promissores: retirando dois que faleceram (não pela laminina), todos apresentaram bons resultados, sendo que o mais novo, que ficara tetraplégico, recuperou todos os movimentos.
Também foram feitos testes por um laboratório em seis cães que ficaram paraplégicos e não mais podiam andar. Destes, quatro voltaram a andar. E agora, a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) aprovou o início dos estudos da fase clínica um. Nesta etapa, o que é importante é determinar a segurança do medicamento para o uso, não seu efeito. Você não quer um remédio que cresça o cabelo, mas que te deixe com câncer, quer?
E como este é o assunto do momento, já começam os canalhas a se manifestar. Jornalistas colocam na manchete: “Três pacientes que receberam polilaminina por ordem judicial morrem no RJ, PR e ES” – todos morreram pelo trauma ou pelas complicações (pneumonia, embolia, septicemia etc), não pela polilaminina. A outra: “Polilaminina, a molécula descoberta no Brasil ‘por acaso’ que virou esperança”. Descoberta é resultado da observação e achar uma utilidade para o que se observa. São 25 a 30 anos de estudo, para o dito jornalista desmerecer todo o trabalho feito na universidade pública brasileira.
A polilaminina é uma pesquisa única no mundo (isso mesmo, só nossa), que está entrando na fase clínica e que, daqui a alguns anos, salvará paraplégicos e tetraplégicos. Os veículos de imprensa, infelizmente, estão superlotados de pessoas “que não valem um pequi roído (só pra não esquecer)”.
Departamento de Saúde do Trabalhador e Meio Ambiente