Caminhões elétricos crescem, mas infraestrutura ainda limita

A eletrificação da frota de caminhões no Brasil avança de forma gradual e ainda concentrada em nichos, principalmente em operações urbanas e frotas de grandes empresas. Atualmente, apenas 0,4% dos caminhões em circulação no país são elétricos, percentual inferior ao observado em mercados como China e Europa.

Projeções da Empresa de Pesquisa Energética (EPE) e da Anfavea indicam que os elétricos devem representar entre 1,9% e 6% a 8% da frota até 2030, a depender do cenário de políticas públicas, infraestrutura e custo total de propriedade. Mesmo nesse cenário, o diesel deve continuar predominante, com participação superior a 85%.

Em outros mercados, a adoção ocorre em ritmo mais acelerado. Na China, cerca de 13,5% da frota de caminhões é elétrica, além de participação relevante de veículos a gás e biometano. Na Europa, aproximadamente 2,5% da frota é elétrica, impulsionada por metas obrigatórias de redução de emissões, zonas de baixa emissão e subsídios à compra.

No Brasil, a estratégia tem se concentrado em incentivos à pesquisa e benefícios fiscais, sem metas compulsórias para fabricantes. Programas como o MOVER e a Lei do Combustível do Futuro estimulam a inovação, mas não elimina gargalos estruturais, sobretudo fora dos grandes centros. O estudo aponta que a infraestrutura de recarga é hoje o principal limitador para expansão em larga escala e ainda conclui que a transição deve ocorrer de forma gradual e segmentada, condicionada a avanços na infraestrutura energética e a políticas públicas mais estruturadas.

Do Canal VE