Jornal revela “fraude sistêmica” e abusos em fábrica da BYD na Bahia

A construção da maior fábrica de carros elétricos da América Latina, em Camaçari (BA), operou sob uma “fraude consciente e sistêmica”, segundo novos detalhes de uma investigação do Ministério Público do Trabalho (MPT) revelados pelo The Washington Post.

O relatório aprofunda as denúncias de dezembro, quando o governo brasileiro suspendeu vistos de trabalhadores chineses após identificar 163 operários em condições análogas à escravidão no canteiro de obras da BYD. O projeto, que representa uma das maiores apostas da China para controlar o futuro da indústria automobilística, escondia práticas degradantes nos bastidores.

Enquanto a BYD celebrava a transição da antiga planta da Ford para a tecnologia elétrica, operários chineses enfrentavam uma realidade de domingo a domingo, sem folgas e sob vigilância. De acordo com as 5 mil páginas de registros judiciais analisadas pelo jornal americano, a “fraude” começava ainda na China com promessas de salários altos (cerca de US$ 2.800), mas resultava em: alojamentos insalubres, falta de dignidade, riscos físicos e isolamento.

A BYD Brasil, que inicialmente negou as acusações classificando-as como “diferenças culturais”, decidiu encerrar o contrato com a empreiteira terceirizada Jinjiang Construction após ser notificada das irregularidades. Em nota divulgada em dezembro, a montadora afirmou que não tolera o desrespeito à dignidade humana e que colabora com as autoridades.

Do Olhar Digital