Setor de caminhões atravessa primeiro bimestre pressionado por juros, guerra e dólar

Vendas, produção e exportações caem no início do ano, enquanto custos logísticos e incertezas globais aumentam

O primeiro bimestre do ano chegou ao fim, mas não a crise que acomete o setor de caminhões no país, o qual viu os volumes de vendas e de produção caírem nos dois primeiros meses do ano. Na comparação com o bimestre do ano passado, as vendas no segmento recuaram 28,7%, e a produção nacional foi 27% menor, somando 20 mil unidades no período.

Até aí, nenhuma novidade, considerando que um cenário de dificuldades para o ano já era antevisto pela indústria. No entanto, como diz o ditado popular, nada é tão ruim que não possa piorar. E, no caso do setor de caminhões, podem tornar as coisas mais críticas o que o presidente da Anfavea, Igor Calvet, chamou de “fatores de volatilidade”.

Um deles é a taxa de juros, já exposta à exaustão como um inibidor dos financiamentos de veículos no país. À cesta de dificuldades enfrentadas pela indústria, que já conta como os juros altos, foram acrescentados outros dois fatores, indicou a Anfavea, esses mais recentes. A eclosão do conflito entre Estados Unidos e Irã fez o dólar e o preço dos combustíveis dispararem, impactando em custos logísticos e reduzindo a competitividade na indústria brasileira, afirmou Calvet.

Aumento de custo logístico, traduzindo para o idioma falado por transportadores de cargas no país, significa diesel mais caro. Com a composição operacional sendo onerada pelo conflito, o apetite para renovar a frota com modelos zero quilômetro praticamente desaparece, ou se posterga para mais adiante. O terceiro fator de volatilidade apontado pela Anfavea é o fato dos conflitos bélicos terem o poder de melar o comércio exterior por causa da instabilidade política provocada por eles.

Do Terra