A cidadania do mercado e o sufocamento da democracia

Há uma crescente dificuldade das elites econômicas em várias partes do mundo de dar respostas e administrar democraticamente o conflito distributivo que se agrava com a radicalização cada vez maior das políticas neoliberais sob o disfarce de “ajuste fiscal”.

Foto: Divulgação

Sabemos, por experiência histórica, que quando esse conflito sobre a distribuição da riqueza produzida pela sociedade é enfrentado num ambiente democrático, há a possibilidade de que a cidadania pautada em direitos universais, na solidariedade e na proteção social,  se imponha sobre a “cidadania do mercado”, orientada pela falsa noção de meritocracia e liberdade individual. 

Diante da incapacidade de responder às demandas sociais, as elites governantes, a serviço da financeirização da economia, procuram criar mecanismos para impedir que o exercício da democracia contrarie os seus interesses. Ou tendem a apoiar governos populistas de recorte autoritário que reprimam os sindicatos e os movimentos socais e imponham, pela força e pela manipulação da informação, a lógica das políticas neoliberais.

Por isso, precisamos estar atentos às eleições que se aproximam. O impeachment contra a presidenta Dilma, a prisão política do ex-presidente Lula e a vitória de Bolsonaro nas últimas eleições não são meras coincidências.

Esses fatos obedecem ao roteiro que descrevemos acima: sufocar a democracia para impor a política do sistema financeiro, a chamada “cidadania do mercado”, que tira dos muitos que pouco ganham para dar aos poucos que ganham muito.  

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