A democracia brasileira na UTI

A democracia está entubada num leito de UTI a espera de dias melhores. A imagem associada ao nosso tempo de pandemia pode parecer um pouco forte, mas ela tenta transmitir a ideia da gravidade política que vivemos nos dias de hoje.

Foto: divulgação

Chegamos a esse ponto, em primeiro lugar, pelo conservadorismo político da nossa classe dominante hegemonizada pelo capital financeiro que sempre lançou mão de expedientes autoritários para romper com a ordem democrática quando a classe trabalhadora avançou os limites estabelecidos por ela, reivindicando maior distribuição de renda, mais justiça social e mais participação política. Foi assim no golpe civil-militar de 1964, que foi uma reação à intensa mobilização popular, entre 1962-1964, na defesa das chamadas “Reformas de Base” (reforma agrária, da educação, eleitoral, fiscal, bancária e urbana). 

Um novo ataque a democracia, desta vez dissimulado por mecanismos jurídicos numa aparente legalidade institucional, veio com o impeachment da presidenta Dilma, em 2016, cuja consequência trágica foi a ascensão da direita que permitiu a eleição de Jair Bolsonaro, mergulhando o país ainda mais num período de crise social profunda e uma prática política marcada pelo autoritarismo que coloca a democracia em risco permanente.

É incompreensível a tolerância do poder judiciário, do Congresso Nacional e dos meios de comunicação em geral com o comportamento e as ações autoritárias do atual governo.

Por que tanta condescendência com os ataques à democracia?

Porque, para os detentores do poder, que estão promovendo o desmonte da proteção social e o confisco de direitos trabalhistas, quanto mais frágil a democracia, menos condições a sociedade terá para resistir aos ataques que fragilizam as condições de vida da maioria da população.

O resgate da democracia, como sinônimo de soberania popular, é o grande desafio para a sociedade brasileira para interromper o caminho da barbárie pavimentado pelos atuais donos do poder.

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