A privatização neoliberal dos direitos e da subjetividade

Como destaca a filósofa Marilena Chauí, a grande privatização neoliberal não é a privatização das estatais, mas a transformação das políticas sociais em serviços.

Nessa lógica, os direitos sociais transformados em serviços deixam de ser universais e passam a ser um privilégio de quem pode pagar. Por conseguinte, a cidadania deixa também de representar uma comunidade de todos, mas um grupo limitado de pessoas.

Para que essa privatização se realize é preciso capturar a nossa subjetividade, nossos sonhos e nossas esperanças. A ideologia neoliberal precisa justificar as políticas, que apesar de gerar desigualdade, devem ser aceitas de uma forma pacífica, como requisito da “democracia”. Dessa forma, somos jogados num cenário de guerra em que somos estimulados a competir uns contra os outros reforçando o individualismo e anulando a nossa capacidade de pensar no bem-estar coletivo. É como se voltássemos ao estado de natureza em que impera a lei do mais forte.

O horizonte neoliberal, que na realidade é uma viseira, não nos permite enxergar para além da lógica da sobrevivência ou da acumulação material. Assim, vamos nos apequenando como seres humanos e nos distanciando de um mundo melhor e mais feliz para todos. Nosso combate no plano das ideias contra o pensamento neoliberal é fundamental para almejarmos e construirmos um novo mundo.

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