A recuperação da indústria e a trava dos juros altos
Comente este artigo. Envie um e-mail para sumetabc@dieese.org.br

O primeiro quadrimestre de 2024 foi marcado pelo crescimento de 3,6% da indústria de transformação brasileira, comparado com o mesmo período do ano anterior, ao mesmo tempo que são dados os primeiros passos de implementação da nova política industrial, a Nova Indústria Brasil.
De fato, 18 dos 24 ramos industriais monitorados pelo IBGE cresceram nesse período, com destaque para veículos, produtos farmacêuticos e aparelhos elétricos, em especial. Os estoques se reduziram e as primeiras sondagens de maio sobre a confiança da indústria também foram positivas, muito embora a tragédia climática do Rio Grande do Sul tenha um evidente impacto sobre o ritmo da retomada, considerando o peso da indústria gaúcha no contexto nacional.
Na região do Grande ABC, a mesma tendência tem se verificado. As receitas e repasses do ICMS subiram impulsionados pela atividade industrial e o próprio peso da região na distribuição do recurso estadual subiu de 6,37% em 2023 para 6,53% no corrente ano, como revela matéria do jornalista Anderson Amaral divulgada neste final de semana. A Fundação Seade também anunciou avanço de 1,6% do PIB regional ante o mesmo trimestre do ano anterior, com forte avanço de 12% na atividade industrial e geração de vagas da ordem de 3.500 empregos nesse setor.
Toda essa movimentação mostra o potencial de retomada da indústria brasileira travado, porém, pela manutenção de taxas básicas de juros ainda extremamente elevadas, sob o argumento de um risco inflacionário que absolutamente não se apresenta. Nesse sentido, o Banco Central segue uma orientação que atua contra o crescimento econômico, contra uma retomada ainda mais vigorosa da indústria e contra os próprios interesses do país.
Subseção do Dieese