Adolescência, emprego e aposentadoria

Como falar de assuntos tão distantes como adolescência e aposentadoria?

Foto: Divulgação

Quando instituído o INSS (INAMPS), havia uma grande massa de trabalhadores com carteira assinada, com grande aporte para as reservas que gerariam as futuras aposentadorias. Ter carteira assinada era pré-requisito para ser atendido nos ambulatórios do INAMPS e até na pequena rede particular. Em 2021, 17,8% dos adultos jovens sem segundo grau completo estão desempregados, 3% a mais que em 2020.E isso piora.

“Nem-nem” é uma expressão para designar “nem estuda, nem trabalha”. O número enorme de jovens nesta situação decorre da crise econômica, agravada pelo plano político dos governos pós golpe de 2016 de precarizar o trabalho. A maior parte dos nem-nem está concentrada entre a faixa etária de 20 a 24 anos. Eles eram 31,51% em 2020. Entre 15 e 19 anos, eram 14,74%. E essas estatísticas pioram se você é pobre, preto e mulher. E para a saúde o jovem em nada colabora, pois agora se encontra como um desalentado: cidadão que não encontra emprego para se sustentar, ora porque não terminou os estudos, ora porque não encontrou vaga com carteira registrada, vendo Uber como empreendedorismo.

Se o jovem não conclui seus estudos, não encontra um bom emprego. Se não consegue um emprego digno, não consegue pagar uma faculdade para ter uma profissão melhor. É um ciclo vicioso que prejudica inclusive o empreendedorismo tão aclamado atualmente, onde se usa meia dúzia de exemplos de multimilionários que largaram a faculdade.

A adolescência é uma etapa da vida cheia de mudanças, crises e esperanças. A política de governo de acabar com a classe trabalhadora está criando desalento na base da força trabalhadora, que já causou aumento dos suicídios e que vai prejudicar até quem está tentando aposentar as chuteiras. A saúde mental dos jovens pede o fim desta política de governo.

Comente este artigo. Envie um e-mail para [email protected]
Departamento de Saúde do Trabalhador e Meio Ambiente