Aumento de afastamentos por Covid gera mais um entrave à produção de veículos

A nova onda de covid-19 provocada pela variante ômicron, que segundo estudos de cientistas tem maior poder de transmissão, tem varrido as linhas de montagem das fabricantes de veículos nas últimas semanas. Somente no Grande ABC foram mais de 1,2 mil afastamentos, de acordo com levantamento dos sindicatos dos metalúrgicos da região a pedido da Agência AutoData.

Em outras regiões, como o Vale do Paraíba, também há trabalhadores contaminados, embora em menor escala – nem todos os sindicatos atenderam a solicitação da reportagem e alguns alegam que, após a reforma trabalhista, não têm mais acesso a esses dados.

A indústria se preocupa com o fato de que, embora o tempo de afastamento ser menor do que em outros momentos da pandemia – os novos protocolos do Ministério da Saúde sugerem de cinco a dez dias, em vez dos catorze exigidos no passado –, o índice de contágio é muito superior. E que, diante do absenteísmo, que conta com novos casos diariamente, faltem profissionais no chão de fábrica e torne-se mais complicado o cenário que já vinha sendo dificultado pela falta de semicondutores.

É mais um componente para agravar a situação da indústria automobilística, que já lida há um ano com a crise de escassez de semicondutores. Ainda é cedo para dizer que a produção de janeiro ficará menor por causa dos afastamentos, mas o resultado de emplacamentos da primeira quinzena já ligou um alerta: 68,9 mil veículos licenciados, queda de quase 18% no volume de emplacamentos na comparação com igual período em 2021, quando também já havia problemas com chips e coronavírus.

Da AutoData