Brasil, Índia e tarifas Trump: o que pode mudar agora?

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Em 20 de fevereiro, uma decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos derrubou as tarifas comerciais “recíprocas” impostas por Donald Trump a diversos países, sob o argumento de ilegalidade da medida. Após o revés, o presidente norte-americano reagiu e anunciou a aplicação de uma “tarifa global” de 15% sobre produtos de todos os países.
Desde que assumiu a Presidência, Trump busca reafirmar o unilateralismo norte-americano e a hegemonia do dólar, com intervenções no comércio internacional que geram incertezas e pressionam os países afetados a reorganizar suas rotas comerciais — especialmente os integrantes do BRICS.
Ainda não está claro como será implementada essa nova cobrança. Estudos preliminares indicam que o Brasil poderá enfrentar redução nas tarifas vigentes, o que tende a amenizar impactos nas exportações aos Estados Unidos, embora o cenário permaneça indefinido. Desde agosto, o governo brasileiro vem adotando medidas para mitigar riscos às empresas exportadoras, entre elas a ampliação e diversificação de mercados.
Nesse contexto, no último dia 21, foram assinados oito acordos com a Índia, envolvendo minerais críticos e terras raras — áreas estratégicas para as grandes economias. A corrente de comércio entre Brasil e Índia pode alcançar US$ 20 bilhões até 2030. A aproximação reforça o multilateralismo como instrumento de soberania e desenvolvimento.

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