Brasil patina, mas 14% dos carros vendidos já são eletrificados reais

Mercado cresce pouco em janeiro, mas a eletrificação já vira mudança estrutural

Janeiro de 2026 começou sem grandes surpresas para o mercado brasileiro. Depois de um dezembro inflado por campanhas e volumes atípicos, o setor voltou a um patamar mais próximo da realidade, com crescimento tímido e sinais ainda limitados de recuperação consistente da demanda. Ao mesmo tempo, a eletrificação segue sendo o principal eixo de transformação do mercado – não em ritmo explosivo, mas de forma cada vez mais estrutural.

De acordo com os dados da Bright Consulting, o Brasil emplacou 161.803 veículos leves no mês, queda de 38,9% frente a dezembro (264.946) e alta modesta de 1,4% contra janeiro de 2025 (159.534). Com 21 dias úteis, a média diária ficou em cerca de 7,7 mil unidades, acima de janeiro do ano passado (7,3 mil), mas muito distante do patamar inflado de dezembro (12 mil/dia). O movimento é mais de normalização sazonal do que de recuperação efetiva.

Os eletrificados somaram 26.361 unidades em janeiro, o equivalente a 16,3% dos emplacamentos do mês. Na comparação com dezembro (37.822), há um recuo expressivo, explicado em grande parte pelo fim das campanhas comerciais e pela sazonalidade típica do início do ano. Já na base anual, o salto é relevante frente a janeiro de 2025 (16.206), indicando expansão real do segmento e aumento de participação.

Quando se retiram os MHEV da conta, o retrato da eletrificação no Brasil fica ainda mais claro. Sem os micro-híbridos, que têm impacto limitado na propulsão elétrica, os eletrificados “de fato” somaram 23.025 unidades no mês. Na prática, isso significa que quase 90% dos eletrificados vendidos no país já oferecem tração elétrica relevante, total ou parcial. Em relação ao mercado total, são cerca de 14,2% dos emplacamentos, um nível que até poucos anos atrás parecia distante da realidade brasileira.

Do Motor1