Brasil registra 70 medidas protetivas por hora e lança pacto para proteção à mulher
Estratégia TodosPorTodas.br prevê medidas protetivas céleres. Para Sindicato, avanço jurídico depende da desconstrução do machismo nas bases da sociedade.

O Brasil deu um passo institucional decisivo no último dia 4 com o lançamento do Pacto Nacional – Brasil contra o Feminicídio. A iniciativa une o Executivo, o Legislativo e o Judiciário em uma frente coordenada para frear uma crise que não é apenas policial, mas estrutural. No entanto, por trás das canetas e dos protocolos, surge um chamado urgente: a necessidade da sociedade, e especialmente os homens, assumirem o protagonismo nesta mudança.
Para Wellington Messias Damasceno, diretor administrativo do Sindicato, a união dos Três Poderes é um avanço louvável, mas ainda insuficiente se não atravessar os muros das instituições. “Precisamos de um pacto de toda a sociedade brasileira: movimentos sindicais, movimentos sociais, escolas, famílias. É preciso um debate de conscientização que entre no currículo escolar e faça parte de uma mudança cultural profunda”, afirma.
Números que gritam
Os dados de 2025 são um alerta doloroso. A Justiça brasileira julgou, em média, 42 casos de feminicídio por dia, totalizando mais de 15 mil julgamentos — um salto de 17% em relação ao ano anterior. Mais alarmante é a frequência das medidas protetivas: 70 por hora. Esses números revelam que a violência não é um fato isolado, mas um sintoma de uma cultura que ainda tenta silenciar mulheres.
Wellington destaca que essa violência nasce de raízes históricas que os homens precisam ajudar a arrancar. “O Brasil ainda carrega uma cultura muito ligada ao patriarcado, à ideia da mulher restrita ao cuidado da casa, submissa ao marido. Isso está em disputa no campo ideológico”, pontua. Ele é enfático ao dizer que a luta pela vida das mulheres não deve ser politizada: “Não podemos confundir o combate à discriminação e à violência com disputa partidária”.

Todos Juntos por Todas
O Pacto Nacional inclui a estratégia TodosPorTodas.br (acesse conteúdo no qrcode ao lado), prevendo medidas protetivas mais rápidas, informações sobre diferentes tipos de violência, políticas de enfrentamento e orientações práticas para uma comunicação responsável, alinhada ao compromisso de salvar vidas. Mas o cerne da transformação reside no reconhecimento de que o homem é peça-chave na solução.
O Sindicato, segundo Wellington, já compreendeu essa missão. “O nosso Sindicato já vem trabalhando no combate ao feminicídio. A gente defende uma cultura de paz e o respeito à diversidade”, explica. Para ele, a mudança real ocorre quando o homem deixa de ser um observador passivo para ser um agente de transformação.
“Não existe justificativa para um homem bater ou matar uma mulher. Nenhuma. Queremos uma transformação cultural real, capaz de enfrentar essa cultura tão perversa”, conclui o diretor.
O pacto institucional é o mapa, mas o caminho será pavimentado pela educação e pela coragem de cada cidadão em dizer “basta”. A vida das mulheres não pode mais esperar por uma mudança que começa, essencialmente, na desconstrução do machismo que mata.