Câmara dos deputados: Uma das eleições mais disputadas

Segunda-feira, os deputados federais vão definir o nome que vai presidir a Casa pelos próximos dois anos. O Partido dos Trabalhadores lançou Luiz Eduardo Greenhalgh (SP) como candidato a presidente, enquanto Virgílio Guimarães (PT-MG) concorre em candidatura avulsa.

Os deputados Severino Cavalcanti (PP-PE), José Carlos Aleluia (PFL-BA) e Jair Bolsonaro (PFL-RJ), também concorrem à vaga. Aleluia, o único que ainda não oficializou a candidatura, deve fazer o registro hoje.

Esta é uma das eleições mais disputadas na história da Câmara. Tradicionalmente, não há disputa pela presidência, uma vez que o cargo cabe ao partido que tem o maior número de congressistas. Este posto cabe ao PT, com 90 deputados.

Apoio de peso

A bancada petista escolheu Greenhalgh, que tem apoio do presidente Lula. Mas Virgílio resolveu disputar também e embolou o meio de campo.

Nos últimos dias, os líderes do PCdoB, PDT, PSB, PV e PPS anunciaram a formação de bloco que deve alterar a composição política da Casa. Para a eleição de segunda-feira, valerá o quadro político existente até 15 de dezembro. Para se eleger no primeiro turno, é necessário ter maioria absoluta (metade mais um) dos votos válidos.

A presidência é o cargo mais importante da Câmara. Entre outras atribuições, o presidente da Câmara substitui o presidente da República quando ele e o vice-presidente estão ausentes e comanda toda a pauta de votações.

Petista corre em raia própria

Defensor dos direitos humanos e advogado de perseguidos pela ditadura militar, Greenhalgh é a indicação oficial do PT. Ironicamente, o que é apontado como virtude do parlamentar é usado contra ele.

A bancada ruralista, por exemplo, reclama de suas ligações com o MST e deputados com pouca exposição pública e que são a maioria da Casa dizem que ele é da elite parlamentar e que dá pouca atenção aos colegas.

Greenhalgh prometeu não misturar uma bandeira pessoal (a busca do paradeiro dos desaparecidos políticos), com o comando de uma Casa que representa por natureza todos os setores da sociedade brasileira -inclusive uma minoria autoritária e saudosista de períodos tristes de nossa história, como 1964.

Do ponto de vista do jogo político, o governo terá tranquilidade para eleger Greenhalgh se fizer sua base parlamentar na Câmara atuar unida. Ela é formada por 360 dos 513 congressistas.

Lula já deixou claro para Virgílio que não o quer disputando a presidência. O deputado teria respondido que encontraria uma saída.

Afinal, já conseguiu boa parte do que pretendia. Virou herói da imprensa mineira, na qual nunca teve tanta inserção, e cavou seu espaço para a candidatura a governador. Mas agora diz que está difícil recuar.

Bolo já está repartido

Os candidatos a um dos cargos da Mesa Diretora da Câmara poderão efetuar suas inscrições até às 15h de segunda-feira. Cada partido terá direito de indicar candidato a um posto condizente com o tamanho de sua bancada.

O PT, que tem a maior bancada com 90 deputados, vai indicar o presidente. Este é o único cargo que aceita candidaturas avulsas de qualquer partido. Por isto existem mais quatro postulantes.

O PMDB, com 77 parlamentares ficará com a primeira secretaria. Depois o PFL, com 60 deputados, define quem ocupará a primeira vice-presidência.

O PP, com 56 deputados, escolheu a segunda vice-presidência. O PSDB, com 48 deputados, escolheu a terceira secretaria. O PTB, com 51 deputados, ficou com a segunda secretaria. A quarta secretaria será ocupada pelo PL.