Canadá “fura” EUA e abre exceção para importar carros elétricos da China
O Canadá decidiu fazer algo que, até pouco tempo atrás, parecia improvável no atual ambiente geopolítico: abrir uma exceção controlada para a entrada de carros elétricos chineses em seu mercado. Em um acordo firmado com a China na sexta-feira (16), o governo canadense autorizou a importação anual de até 49 mil veículos elétricos produzidos no país asiático, com tarifa reduzida para 6,1%, em troca de cortes significativos nas tarifas chinesas sobre produtos agrícolas canadenses, como a canola.
À primeira vista, o número é modesto. Esse volume representa menos de 3% do mercado canadense de veículos novos e equivale aproximadamente ao patamar de importações registrado antes do início das tensões comerciais entre os dois países. Ainda assim, o gesto tem peso político e estratégico muito maior do que os dados sugerem.
Desde outubro de 2024, o Canadá havia seguido os Estados Unidos e imposto uma tarifa adicional de 100% sobre carros elétricos fabricados na China, elevando a alíquota total para 106,1% e, na prática, fechando seu mercado aos fabricantes chineses. O novo acordo, portanto, não elimina essa política, mas cria uma brecha cuidadosamente delimitada – e é justamente aí que reside sua relevância.
Pelo lado chinês, a contrapartida é clara: as tarifas sobre a canola canadense devem cair de cerca de 85% para aproximadamente 15% a partir de 1º de março de 2026. Outros produtos também devem ser isentos de tarifas discriminatórias ao menos até o fim do ano. O governo do Canadá estima que o pacote possa destravar quase US$ 3 bilhões em novos pedidos de exportação, em um mercado que movimenta cerca de US$ 4 bilhões anuais apenas com a canola. Para a China, por sua vez, o acordo cria uma rara porta de entrada para seus elétricos na América do Norte – ainda que estreita e altamente regulada.
Do InsideEVs