Carestia

Foto: Divulgação

Era agosto de 1978, mais de 20 mil mulheres ocuparam a Praça da Sé em protesto contra a carestia. Mulheres das periferias de São Paulo travaram um dos maiores movimentos populares contra a ditadura militar. Reivindicavam o congelamento dos preços e aumento dos salários acima da inflação.

É provável que aqueles nascidos em meados da década de 1990 tenham pouca familiaridade com o termo carestia, palavra que volta a protagonizar as manchetes dos noticiários brasileiros. Estamos assistindo a uma disparada dos preços dos alimentos e dos preços administrados, principalmente o óleo de soja, combustíveis e a energia elétrica, com altas nos últimos 12 meses de 85%, 41% e 20% respectivamente.

Por muitos anos os brasileiros conviveram com elevadíssimas taxas de inflação que marcaram profundamente a sociedade. Para aqueles que vivenciaram aquela realidade, a ideia de retorno de qualquer coisa parecida é muito perturbadora.

A carestia ocorre quando os salários não são reajustados na mesma proporção do aumento dos preços causando profundo impacto nas famílias de menor renda que tem um custo de alimentação muito elevado, principalmente considerando que a inflação tem sido ainda maior nos itens da cesta básica.

A data-base da nossa categoria está chegando, agora em setembro, e o INPC acumulado em 12 meses está em 9,85%, o mais alto dos últimos anos. A resistência da classe trabalhadora em resposta a este cenário desfavorável passa, necessariamente, pela luta da reposição da inflação com aumento real.

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