Carros 1.0 deixam de ser preferência nacional
A diversidade de veículos oferecidos no mercado nacional aumentou e os modelos com motorização 1.0 não são mais os preferidos do consumidor brasileiro. De acordo com a Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores),o emplacamento de carros com motores de 1.000 cilindradas teve queda de 13,8% entre agosto deste ano e o mesmo mês de 2010 e de 6% no acumulado de janeiro a agosto de 2011.
Com base nos dados da Fenabrave (Federação das Distribuidoras de Veículos), a fatia de mercado dos 1.0 caiu de 74% para 46% entre 2001 e 2011. É a primeira vez que a inversão é detectada desde que os carros de entrada assumiram a dianteira do mercado.
Para o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, Sérgio Nobre, as montadoras deixaram de adequar o mix de produtos e isso alterou o perfil do consumidor brasileiro, que agora prefere carros mais bem acabados e com mais cilindradas. “O consumidor quer carros mais potentes, com mais opcionais e, por não encontrar esse produto no mercado nacional, acaba comprando o importado. Se nada for feito, vai continuar sobrando veículos nos pátios das montadoras. No longo prazo, o Brasil passará a ser importador e não produtor de veículos”, disse.
De acordo com o professor do Centro de Engenharia Automotiva, da Poli-USP (Escola Politécnica da Universidade de São Paulo), Marcelo Massarani, as montadoras precisam rever a tecnologia embarcada nos modelos e priorizarem a utilização de componentes nacionais. “Uma das saídas é produzir um novo modelo de carro ‘popular’ com novas tecnologias e preços mais atrativos. As montadoras precisam reduzir os ganhos com as vendas dos veículos no País. É inaceitável o consumidor brasileiro continuar pagando R$ 25 mil em modelos que, muitas vezes, não possuem nem direção hidráulica. Está na hora das empresas automotivas reverem seus conceitos”, opina.
Na concepção do presidente da Anfavea, Cledorvino Belini, o mercado automotivo está passando por uma série de ajustes e nos próximos meses os consumidores devem voltar a comprar novamente os veículos 1.0. “O crescimento ou a diminuição está muito relacionada com o volume de lançamentos do mercado. No final do ano, quando os consumidores recebem o 13º salário, as vendas dos carros ‘populares’ batem recordes. Ainda é cedo para mostrar qualquer tipo preocupação, mas já estamos discutindo com as montadoras a necessidade de reformular os veículos de entrada”, conclui.
Do ABCD Maior