Celso Furtado: Desenvolvimento perde defensor

Celso Furtado, um dos economistas que mais lutou para o Brasil encontrar o caminho do crescimento econômico através do desenvolvimento com distribuição de renda, foi enterrado domingo no mausoléu da Academia Brasileira de Letras, no Rio de Janeiro.

Ele morreu sábado, de parada cardíaca, quando conversava com a companheira, a jornalista Rosa Freire D’Aguiar. Tinha 84 anos.

Celso Furtado ganhou fama em 1959 quando lançou o livro Formação Econômica do Brasil. Lá mostrava, pela primeira vez, porque o País possui um setor industrial avançado e um setor agrário atrasado. Ao mesmo tempo defendia a superação deste abismo por meio do crescimento econômico vindo de um desenvolvimento planejado. Sem este planejamento, dizia, a riqueza continuaria concentrada em poucas mãos e o atraso permaneceria intocado.

Suas idéias levaram-no ao governo, quando criou a Sudene para promover o desenvolvimento da região Nordeste. Chegou a ministro do Planejamento no governo João Goulart até que uma manobra dos setores conservadores derrubou-o do cargo.

Os mesmos conservadores que cassaram seus direitos políticos com o golpe de 1964, levando-o ao exílio.

Fora do Brasil, Celso Furtado lecionou na França e nos Estados Unidos, sempre divulgando suas idéias, que já recebiam o rótulo de desenvolvimentistas, e com esta definição ficaram famosas em todo o mundo. Com a anistia voltou ao Brasil e foi ministro da Cultura do governo Sarney e indicado ao prêmio Nobel de economia no ano passado.

Mas sua grande paixão continuava sendo a economia, assunto da maior parte dos 30 livros que escreveu. Através da economia, fez amizade com o então presidente do PT, Luiz Inácio Lula da Silva, de quem continuava amigo. Devido a seu falecimento, Lula decretou três dias de luto no País.